quarta-feira, setembro 06, 2006

Pierre de Marbeuf

foto retirada da net



Tanto o mar como o amor amargam por metade,
tão amargo é mar como é o amor amargo
vai-se ao fundo de amor tanto como no mar largo,
que nunca mar e amor serão sem tempestade.



Quem águas recear, ficar nas margens há-de,
quem os males temer que amor traz a seu cargo,
pois ponha ao inflamar de amor algum embargo
e evita naufragar sem risco de verdade.

A mãe do amor nasceu e foi no mar também,
o fogo sai do amor, das águas sai-lhe a mãe,
mas água em fogo tal não pode amá-lo tanto.

Pudesse água extinguir um braseiro amoroso,
que teu amor a arder-me e a ser tão doloroso,
seu fogo eu apagava em mar feito de pranto.

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