quinta-feira, novembro 23, 2006

Joe Cocker


Feeling all right.
Let's go get stoned.
With a little help of my friends.
You can leave your hat on.

Ruy Belo

foto retirada da net




As impossíveis crianças



Nesta manhã de Outono dos primeiros frios
mais a caminho da velhice que da minha casa
eu vejo-vos em roda todas a cantar
impossíveis crianças deixais-me brincar?


in Monte Abraão, Transporte no tempo

terça-feira, novembro 21, 2006

Milton de Nascimento


Para Lennon e MacCartney.
Minas (acapella). Amor de Índio.
3ª margem do rio. Raça.
São Vicente. Me deixa em paz.
Cais. Lágrimas do Sul.

António Franco Alexandre

foto retirada da net

Nesta última tarde em que respiro

Nesta última tarde em que respiro
A justa luz que nasce das palavras
E no largo horizonte se dissipa
Quantos segredos únicos, precisos,
E que altiva promessa fica ardendo
Na ausência interminável do teu rosto.
Pois não posso dizer sequer que te amei nunca
Senão em cada gesto e pensamento
E dentro destes vagos vãos poemas;

E já todos me ensinam em linguagem simples
Que somos mera fábula, obscuramente
Inventada na rima de um qualquer
Cantor sem voz batendo no teclado;
Desta falta de tempo, sorte, e jeito,
Se faz noutro futuro o nosso encontro.

In Uma Fábula

terça-feira, novembro 14, 2006

Lamb

foto retirada da net


Sweet.Gorecki.
Softly.All in your hands.
God bless.Wonder.
Cotton wool.

Mário de Sá Carneiro




Serradura


A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.

E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No indindável sofá
Da minha Alma estofada.

Pois é assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.

Vai aos Cafés, pede um bock,
Lê o «Matin» de castigo,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:

Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.

Folhetim da «Capital»
Pelo nosso Júlio Dantas
-Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual...

O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...

Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...

Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?-
Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:

O que era fácil - partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel

A gritar «Viva a Alemanha»...
Mas a minha Alma, em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade...

Vou deixá-la - decidido
-No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Al Qabri Ramos



Inimigo
Era o amor antecedido à dor
e desertava ao som dos teus agravos,
tu blasfemavas de mim aos olhos de Deus.
- Distância não mata, faz crescer!
Como se essa fosse a verdade exponencial!

Restaram-nos as evasões posteriores à dor,
ambos as recordamos amargas.
A fuga não era desinteresse ou negação de guerra,
antes pelo contrário, fiel testemunho de
que doía qualquer aproximação ao inimigo.

Fugir-te era dizer-te capaz de me venceres.
E sussurravas entre os lençois de flanela:
- O amor não é guerra de antagonismos,
de titãs, mas de sacrifícios.
(Não há nele vencedores. Nem vencidos.)

Por isto, quando oiço dizer
que as mulheres e a filosofia são iguais,
que respondem ao amor platónico
com um ódio aristotélico,
creio justificado o meu exílio
longe das batalhas corpo a corpo (...)
Como vês, meu querido inimigo,
só tu não o podes entender. Ainda.
Dos rancores restou uma semente
que procuro matar sem armas de fogo.

Lucinda Williams

foto retirada da net

Drunken Angel. World without tears.
C'mon
. Cant let go.
There's a story in your voice.
Smiles.Too good to be forgoten.

Laura de Jesus

foto retirada da net


Noctívaga

a noite foi testemunha e ainda hoje é
da falta de paz, da insónia
das fracções de segundo rasando os abismos...
mas retardo-me sempre no temporizador
as lembranças más vêem sempre em primeiro lugar
quando os meus olhos chovendo se fecham,
e estancam na vã lembrança das boas.
porque digo vã, se é nelas que ganho a fé
de acreditar que não há só noites mal dormidas,
porque também raia o dia?
e é madrugada da quase manhã
que chegará ao som de frevo embalando almas,
encaminhando quem não sabe mais de que é feita a vida,
nos ombros dela, da brava solidão caminham todos os ais.
Todos os bocejos, todos os desertos e matagais,
todos os abutres e aprendizes e medos,
que só ela tão bem sabe esconder.
Salto para a réstea de escuro que encontro
na aurora e entro derrotada nesse princípio do dia
e sem mágoa,de olhos secos e fechados,
enquanto os homens acordam e perdem a consciência,
enquanto se demoram para pousar
o beijo no sítio do costume.
Na testa, no olho desperto, na alma.
Abrigada no mundo do sono agitado,
dormito até ser acordada pelo silêncio
dos homens, no final do dia.
E só nessa altura venço a escuridão.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Coldplay



The cientist. Square one.
God put a smile upon your face.
The hardest part. Spies.
Lost. Speed of sound.

Carlos Peres Feio

foto-montagem de A.Carsten



por detrás dos sonhos

estou nos teus sonhos pelo
milagre do teu amor.
estás nos meus sonhos
quando acordado,
e a dormir,
naquela área por detrás dos sonhos,
onde a vontade é só nossa.

dez. 2005, in Podiam ser mais
...a pedido e dedicado a MFB (2006)

terça-feira, novembro 07, 2006

Sting

foto retirada da net

Fortress around your heart.
Russians. Englishman in New York.
When we dance.Send your love.
Fragile.Ten summoner's tales.
Shape of my heart. Fields of gold.

Charles Chincholles

foto retirada da net


o grande mérito da sociedade é que nos faz apreciar a solidão

Broken Social Scene

foto retirada da net



Almost Crimes. Pitter patter goes my heart.
I'am still your fag. Fire eyed' boy. Hotel.
7/4 Shoreline. Ibi.Cause time. Lovers spit.
Just like the sun
.Major label debut.
Anthems for a 17 year old girl
.
I'll bring the sun.Raising the fawn.

Inês Figueiredo

foto retirada da net

Isto em mim


Noutro lugar de mim mas,
mesmo assim, ainda em mim,
tu, um deus,vizinho em mim,
por tênues tabiques separado,
trazes as cadeiras e as mesas,
os lençóis e as frutas do jardim.
Embora o cão rosne,
a lâmpada do poste se apiede
dos fantasmagóricos signos da calçada
ainda assim, tu, isto em mim,
instala–te na clareira, barroso chão,
apodera-te da única cadeira
e em mim navegas
naquela madeira à deriva, poeira,
do porão do meu rosto.


domingo, novembro 05, 2006

Keane

foto retirada da net

Crystal ball.

Everybody's changing.

We might aswell be strangers.

Try again.

Somewhere only we know.

This is the last time.

Beatriz Alcântara

foto de Louisa Schlepper


Intromissão

como um cachorro vadio que
entra inesperadamente numa fotografia
vejo o tempo invadir meu corpo e dizer
que a maturidade chegou
vejo a sensatez apoderar-se
de minha alegria e dizer acabou