sexta-feira, novembro 10, 2006

Al Qabri Ramos



Inimigo
Era o amor antecedido à dor
e desertava ao som dos teus agravos,
tu blasfemavas de mim aos olhos de Deus.
- Distância não mata, faz crescer!
Como se essa fosse a verdade exponencial!

Restaram-nos as evasões posteriores à dor,
ambos as recordamos amargas.
A fuga não era desinteresse ou negação de guerra,
antes pelo contrário, fiel testemunho de
que doía qualquer aproximação ao inimigo.

Fugir-te era dizer-te capaz de me venceres.
E sussurravas entre os lençois de flanela:
- O amor não é guerra de antagonismos,
de titãs, mas de sacrifícios.
(Não há nele vencedores. Nem vencidos.)

Por isto, quando oiço dizer
que as mulheres e a filosofia são iguais,
que respondem ao amor platónico
com um ódio aristotélico,
creio justificado o meu exílio
longe das batalhas corpo a corpo (...)
Como vês, meu querido inimigo,
só tu não o podes entender. Ainda.
Dos rancores restou uma semente
que procuro matar sem armas de fogo.

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