sexta-feira, dezembro 26, 2008

Luís Brito Pedroso

Vida

Funciona assim:
apaga-se o cigarro e acendem-se as luzes
Gesto repetido no cheiro da cinza
O sal junta-se nas feridas agarrando a crosta
Os glóbulos são gravilha em suspensão nas veias

De repente desço dos jardins de som
Cordões de fumo amar-
-ram-nos mãos e desejo
e as pessoas sentem-se bem: não doentes

se-apaga o cigarro
se-abre o coração
e se-engolem o fumo e a gravilha
parte iónica da morte

quem diria que sorririas?
A pele expulsa glóbulos mortos
Sinto uma mensagem escapar-se pela estratosfera
e sinto-me vacilar.
O edificio circular explode
Os anjos estão rabugentos durante a muda das penas
mas as mensagens procuram-te
Pousam-te no ombro

As sementes voam
enquanto escrevo cartas
na esperança de nada
E no futuro
encostados ás mesas velhas das tascas
teremos os olhares mais vagos
e mais cheios de passado

in O meu nome a e noite, Papiro Editora
foto retirada da net

parabens ao poeta que aniversariou a 25 de Dezembro

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Ao pai natal lá de casa

Atrasada, em cima da hora do teu tempo de antena de leres pedidos...

Pois é Pai Natal, sabes que me porto muito bem e sempre atendo a que na tua mesa, cama e meandros da vida de mãe natal, nada te falte. Ponho as tuas barbas de molho, arejo-te a cabeça quando te tiro o barrete e o visto eu, lavo-te a farda e sabes que detesto o encarnado, quando vens cansado, recomendo-te o descanso e as canjas de galinha velha, etc etc e tal. Este ano resolveste terminar o ano mais cedo e, sem me consultares até me deste presentes que não queria, não precisava e que me souberam bem, sabes o apreço que te tenho, também sabes que não faltam por aí muitas mães-natal pra me substituir (3 de 20) mas há algo que eu quero que não cabe neste ano e que terás que ceder. Trata-se de uma nova viagem literária, mais precisamente ao amor através da poesia. Tenho um amigo lá prós lados das Lisbias, Carcavelos, o Peres Feio de quem já ouviste falar muito, que vai apresentar o seu livro de poesia e que não posso dispensar. Agradecia que, em conjunto, nós parte da equipa, sem trenó e sem renas - renas não permitidas no recinto - possamos nos deslocar lá e adquirir uma voltinha de baloiço. Eu que nunca te peço mais que calma, paciência e ovos moles, venho desta forma, atrasada e pública -ai, que te dá uma coisa - pedir e agradecer pedido satisfeito, sob risco de ter de arranjar novo namorado, se não me satisfizeres. Sei que vais marcar na tua agenda o 14 de Fevereiro :).

Agora, vou-me por na alheta, sabes bem das minhas mondas. Ps. I love you qb.

domingo, dezembro 14, 2008

Janis Joplin




Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã.

— Janis Joplin[1]
Janis Lynn Joplin (19 de janeiro de 1943 - 4 de outubro de 1970) foi uma cantora americana de blues, influenciada pelo rock e pelo soul com uma voz marcante e que também chegou a compor. Joplin lançou quatro álbuns, desde 1967 até o lançamento póstumo em 1971.


Janis nasceu na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos. Ela cresceu ouvindo músicos de blues, tais como Bessie Smith e Big Mama Thornton e cantando no côro local. Joplin concluiu o curso secundário na Jefferson High School em Port Arthur no ano de 1960, e foi para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com amigos.
Cultivando uma atitude rebelde, Joplin se vestia como os poetas da geração beat, mudou-se do Texas para San Francisco em 1963, morou em North Beach, e trabalhou como cantora folk. Por volta desta época seu uso de drogas começou a aumentar, incluindo a heroína. Janis sempre bebeu muito em toda a sua carreira, e sua preferida era a bebida Southern Comfort. O uso de drogas chegou a ser mais importante para ela do que cantar, e chegou a arruinar sua saúde.
Depois de retornar a Port Arthur para se recuperar, ela voltou para San Francisco em 1966, onde suas influências do blues a aproximaram do grupo Big Brother & The Holding Company, que estava ganhando algum destaque entre a nascente comunidade hippie em Haight-Ashbury. A banda assinou um contrato com o selo independente Mainstream Records e gravou um álbum em 1967. Entretanto, a falta de sucesso de seus primeiros singles fez com que o álbum fosse retido até seu sucesso posterior.
O destaque da banda foi no Festival Pop de Monterey, com uma versão da música "Ball and Chain" e os marcantes vocais de Janis. Seu álbum de 1968 Cheap Thrills fez o nome de Janis.
Ao sair da banda Big Brother, Janis formou um grupo chamado Kozmic Blues Band, que a acompanhou em I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969). O grupo se separou, e Joplin formou então o Full Tilt Boogie Band. O resultado foi o álbum Pearl (1971), lançado após sua morte, e que teve como destaque as músicas "Me and Bobby McGee" (de Kris Kristofferson), e "Mercedes-Benz", escrita pelo poeta beatnik Michael McClure.

[editar] Janis Joplin no Brasil
Janis Joplin esteve no Brasil em fevereiro de 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito (como estava acostumada), cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas "fora do normal". Ela ainda foi convidada para desfilar em uma escola de samba, mas nem precisou de fantasia por causa da roupa hippie que usava (óculos redondos, colares e um chapéu com penas de pavão). E antes de voltar para os Estados Unidos, teve uma breve relação amorosa com o roqueiro brasileiro Serguei.

[editar] Morte
Janis Joplin morreu de overdose de heroína em 4 de outubro de 1970, em Los Angeles, Califórnia, com apenas 27 anos. Foi cremada no cemitério-parque memorial de Westwood Village, em Westwood, Califórnia, e numa cerimônia, suas cinzas foram espalhadas pelo Oceano Pacífico.
O álbum Pearl foi lançado 6 meses após sua morte. O filme The Rose, com Bette Midler no papel de Janis Joplin, baseou-se em sua vida.
Ela hoje é lembrada por sua voz forte e marcante, bastante distante das influências folk mais comuns em sua época, e também pelos temas de dor e perda que escolhia para suas músicas.

[editar] Discografia
Big Brother and the Holding Company
Big Brother & The Holding Company - 1967
Cheap Thrills - 1968
Live at Winterland '68 - 1998
Kozmic Blues Band
I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! - 1969
Full Tilt Boogie Band
Pearl - 1971
Big Brother and the Holding Company / Full Tilt Boogie Band
Joplin: In Concert - 1972


Try. Mercedes Benz. Summertime. Mary Jane.

Me and Bobby McGee. Flower in the sun.
Maybe. Piece of my heart. Down on me.
Work me, Lord. Get it while you can.
Rayse your hand. All is loneliness. Tell mama.


Luís Brito Pedroso




Agosto Perpétuo




Juntei em compêndio todo o segredo e ciência da sesta
A quietude nas margens do mar interior
Pedras estalando nos desertificados lugares de um infinito Al-Gharb

A urgência de viver impeliu-me
a observar todos os sóis nascentes que pudesse
e também os poentes

Num Verão eterno deixarei a escrita
os livros e os cânticos
e emergirei reencarnado
ressuscitado num anzol de prata

Invadi a vulcânica rocha de Agosto num dia carregado de chuva
numa barca inundada de sangue
Mas nada era negro
e a noite desenhava-me cada vez mais humano
sedento
gigante
e ansioso por te contemplar

quarta-feira, novembro 26, 2008

Jorge Castro




Senhora Ministra das Más Ocorrências

Senhora Ministra das Más Ocorrências
humilde eu cá venho a V. Exª.
não trago o burel
o cordel sequer
porque a um e a outro pu-los de aluguer
mas por vir tão nu não cuide vossência
que se trata aqui de alguma indecência


o facto é que eu
Senhora Ministra
à falta de pão já como alpista
que sobra na loja que há no meu bairro
picando no chão inóspito e frio
sinto até receio de perder a fala
de perder a alma
de perder o pão

pois por tanta taxa que pago a vossência
foram-se os anéis
já ali vão os dedos
deslizo confuso perto da indigência
(deslizo é verdade
mas deslizo liso)

pago para o Iva
pago para os esgotos
pagarei a autárquica
paguei o IA
dei tudo o que tinha
e mais já não há

e taxa após taxa que ainda lá vem
na bruta labuta de quem mais não tem
já rasguei o bolso catando vintém
paguei o imposto de circulação
e ainda me falta em grande aflição
um que é uma graça que até soa bem
que vem junto à luz que cobra demora
o tal da sonora radiodifusão
pareço um burrico á roda da nora
Num paga que paga em tal profusão
que até já pensei
oh triste de mim
fugir prá Lua com os pés de fora!

vem na gasolina
está nas portagens
por isso é que eu já nem faço viagens
e quando parece que nos acontece alguma acalmia
vem-nos uma azia que nos arrefece
que nos estremece pois é já Fevereiro
que nos traz lampeiro o IRS

não sei que mais faça
o que mais me obriga
se olhos não tenho
que faço à barriga?
talvez a converta pra me render juros
talvez assim possa pagar os seguros
juros que não passam de meros patacos
e que são finos delgados e leves
que mais me parecem pêlos de sovacos

Senhora Ministra
com tão fundo zelo
neste meu desvelo pr'à fazer feliz
eu fiquei sem cheta pr'ó imposto de Selo
então o que é que eu faço?
quem é que me diz?

é que
vamos lá
sejamos cordatos
ninguém pode dar quando já não há
e se o pé descalço esperou sapatos
ficará danado se ninguém lhos dá
a própria madre Teresa de Calcutá
houve um tempo que deu
agora não dá

por isso
humilde
pobre e obngado
eu vinha pedir a V. Exª,
Senhora Ministra das Más Ocorrências
já sem o burel
o cordel sequer
uma coisa simples honesta singela
que me sugeriu este triste fado
por já não ter fundo a minha panela
lá comi o cinto
ficou-me a fivela

assim o que eu peço a V. Exª,
é a clemência
essa coisa nobre
essa coisa bela
por paus e por pedras e benevolências
porque não se movem invejas nem cunhas
mas porque a ansiedade me deixou sem unhaS
em vez de cobrar impostos a trote
vergaste-me só com bravo chicote
trocando-me as taxas as multas
impostos
por lágrimas
sangue...e por penitências!

tal eu deixaria
grato e indigente
à consideração de V. Excelência...

in Contra a Corrente, Poemas que eu digo

Zazie



Zazie (born Isabelle Marie Anne de Truchis de Varennes on 18 April 1964 in Boulogne-Billancourt) is a French singer and songwriter. She also co-produces her own albums with other producers.
Zazie's father was an architect and her mother, a music teacher.
Her songs range from upbeat rock or pop songs to languid down tempo tunes and are characterised by the wit of their lyrics based on puns, alliterations, homophonies and double entendres.
Zazie debuted in 1992 with the album Je Tu Ils and the single "Sucré salé".
In 1995, she released her second album Zen, which was co-written and co-produced with Vincent-Marie Bouvot. The album produced the singles "Zen" and "Homme Sweet Homme". Her 1996 single "Un point c'est toi" from the same album was discussed on Canada's MuchMusic TV program Too Much 4 Much due to its controversial content. Ultimately, the discussion panel deemed the video okay for audiences. In the video, a group of four smitten women, including Zazie, follow a pair of men down to a lake. There, the two men strip off their clothes and swim in the water. Zazie fantasizes about undressing one of the men and kissing him. To shock of the women, however, the two men kiss each other.
In 1997, Pascal Obispo and Zazie released the single "Les Meilleurs Ennemis".
Her 1998 album Made in Love was co-produced by Ali Staton, Pierre Jaconelli, and herself. The album photos were taken by fashion designer Jean-Baptiste Mondino. The songs "Ça Fait Mal Et Ça Fait Rien", "Tous des anges", and "Tout Le Monde" were released as singles. This album was followed by a live album, Made in Live, the next year. In 1999 she also wrote a song for Jane Birkin.
In 2001, Zazie teamed up with Axel Bauer on the single "À Ma Place". It was her most successful single in France, reaching number four on the French charts.
Zazie once again addressed gay content on her 2002 single "Adam et Yves" from her 2001 album La Zizanie. This album was produced solely by Pierre Jaconelli. Other singles included "Rue de la paix" and "Danse avec les loops". In 2003, she released another live album, Ze Live.
Her 2004 album Rodéo was co-produced with Jean-Pierre Pilot and Philippe Paradis. The video for the single "Excuse-Moi" features Zazie playing the role of an Indian woman who leaves her cheating husband. She followed this album up with a live album, Rodéo Tour in 2006.
In February 2007, was released her sixth album Totem. Just like her previous album, it is co-produced with Jean-Pierre Pilot and Philippe Paradis. The "Totem Tour" starts July 1.
She is noted for her playful use of language, which has led to the coining of the French word zazisme, or "Zazie-ism".
In 2007 too, she wrote several songs for Christophe Willem's album, Inventaire.

Home sweet home. Ca fait mal et ca fait rien.

Rue de la Paix. Rodeo. Totem. Duo.

Excuse-moi. Toc toc toc. Oui.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Jorge Santiago




Ode à crise

Nasceu de berço d’ouro em Uolstrite
onde cresceu, engordou e se fez dama
educada para todo o serviço
e dona de fino bordel,
bem longe da Meinstrite.

Comprou casa apalaçada em ofechore
de opções e futuros onde os presentes
se banhavam em taxas de juro
com espuma de édgefand
e softuére de Bangalore.

Moedas, derivativos e fundos de mágica,
imobiliário à vista e hipoteca a perder de vista
de tudo se alimentava a crise
qual doente terminal
em orgia cega e autofágica.

Ah mas a ópera bufa chegou ao grandfinal
com bolo de creme e menina de stripetise,
quiseram comer a Meinstrite
à mesa do orçamento
com ajuda governamental.

Aqui delRey, estamos perdidos, é o abismo!
Gritam banqueiros, balem gestores de fortunas.
Homens de pouca fé! digo eu,
nada como um governo social
pra salvar o capitalismo.




Novembro, 2008

Rui Veloso



Rui Manuel Gaudêncio Veloso (Lisboa, 30 de Julho de 1957), embora nascido em Lisboa o cantor mudou-se para o Porto com apenas três meses. É um cantor, compositor e guitarrista português. Considerado por muitos como o pai do rock português, movimento musical surgido no início da década de 80, foi como intérprete de blues que começou a sua carreira numa banda de garagem chamada Magara Blues.
Toca harmónica desde os 6 anos. Diz-se apreciador de B.B. King e Eric Clapton, entre outros nomes consagrados. Actuou por duas vezes com o primeiro no Coliseu do Porto e no de Lisboa, em concertos aplaudidos pela crítica. É reconhecido internacionalmente como o mais autêntico bluesman português.
A sua obra é notável e foi já reconhecida pelo Estado Português na figura do então Presidente da República, o dr. Mário Soares, que lhe atribuiu a Grã-Cruz da Ordem do Infante. É o segundo nome da música portuguesa que mais páginas tem destinadas na "Enciclopédia da Música Portuguesa", só ultrapassado por Amália Rodrigues.
É responsável por muitas das canções que fazem parte das lembranças de cada português como Chico Fininho, Porto Sentido, Não Há Estrelas No Céu, Sei de Uma Camponesa, A Paixão (Segundo Nicolau da Viola), Porto Côvo, entre tantos outros êxitos.

Rui Veloso canta, em 2006, no Porto.
Integrou o agrupamento Rio Grande, em 1996, formado por Tim (Xutos & Pontapés), João Gil (Ala dos Namorados), Jorge Palma e Vitorino, num estilo de música popular com influências alentejanas que alcançou uma considerável popularidade, gravando dois CDs: originais em 1996 e ao vivo em 1998. Mais tarde, em 2003 a mesma formação voltou a juntar-se, mas desta vez o projecto chamar-se-ia Cabeças no Ar e o estilo abandonaria o do primeiro para dar lugar a canções nostálgicas que remontam aos tempos da escola. Dali houve lugar a sucessos aclamados pelo público e que hoje Rui Veloso não deixa de cantar nos seus concertos, como é o caso de O Primeiro Beijo.
Em 2 de Junho de 2006 actuou no Rock in Rio em Lisboa, precedendo os concertos de Carlos Santana e de Roger Waters.
Ainda em 2006 cumpre os 25 Anos de Carreira, ocasião que brinda com três concertos, dois no Coliseu do Porto e um no Pavilhão Atlântico. Concerto em que apresentou novos e velhos êxitos de "cara lavada". Concertos que levam o público à apoteose total.
Recentemente cumpriu o sonho de abrir a sua própria editora o Estúdio de Vale de Lobos.


Porto Sentido. Não me mintas. Cavaleiro Andante. Lado Lunar.


Sei de uma camponesa. Chico Fininho. Não há estrelas no céu. Jura. Paixão.


quarta-feira, novembro 05, 2008

António Paiva




tenho-te


nesta ferida aberta
que não quero tratar
tenho-te
em sangue
em fogo
tenho-te
nesta ilha tão longe
em mar…
é onde mais te tenho

foto e poema retirado daqui.

Melanie Safka.


Melanie Ann Safka-Schekeryk, conhecida simplesmente por Melanie (nascida em 3 de fevereiro de 1947) é uma cantora e compositora norte-americana.
Seu talento foi reconhecido primeiro na Europa; sua música "Bobo's Party" ficou várias semanas na parada de sucessos da França em 1969, ano em que Melanie se apresentou no Festival de Woodstock. Durante seu show velas foram acesas, inspirando-a a compor "Lay Down (Candles In The Rain)", que obteve grande êxito na Europa e nos Estados Unidos.
Desde 1969 Melanie têm lançado pelo menos um álbum por ano. Com exceção de um, todos foram produzidos por seu marido, Peter Schekeryk. Melanie e Peter tiveram dois filhos (Leilah, Jeordie e Beau Jarred, todos músicos) e dois netos.


Photograph. Beautiful People. Leftlover wine.

Look what they've done to my song, Ma.
The Nickel Song. Peace will come (according to plan).
Summer Love. The Long and Winding Road.
Freedom knows my name. Some day i'll be a farmer.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Paolo Nutini






Luís Brito Pedroso




A água é boa, mas o vinho...


Quis que me levasses para casa, para um reino
de silêncio e lentes nítidas
estaríamos como que intocados e
poderíamos debater se a música era doce ou àspera, se
as sílabas desses frutos seriam mais ou menos átonas
e por fim se teria nascido entre nós algum gerânio de indiferença,
passados estes ou mais anos

Teríamos tempo para escutar sussurros enrolados na memória
de beber um chá colado às bocas desse tempo
haveria um sossego uma esfera abstracta e perfeita
onde passar uma temporada de aluvião
logradouros ferrugentos onde o tabaco envelhecia
depois de me olhares nos olhos para a breve fuga
e volto onde quis que me levasses

Confissão: adrenalina, galgando carris inclinados
para os panos da vida
o que sentimos nunca esteve disponível para download
eu iria, e poderíamos entreter-nos a comparar
a nossa forma de mover os dedos de meter as mãos nos bolso
se durante a noite toda debater
que datas e números são ou não irrelevantes


foto de Mr. E retirada da web

quarta-feira, outubro 15, 2008

José Afonso




Vampiros. Canção de embalar. Natal dos simples
Balada de Outono. O que faz falta. Venham mais cinco.

Lobo Duarte



Quando no cais dos olhos se navega

Há pássaros guerrilheiros nascidos da chuva e do desespero.
Quando fechas os olhos aparece uma lua escura em volta das fogueiras apagadas de canções. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é uma bala que nos mata.
Há pássaros guerrilheiros que cantam o poder da primavera e cheiram ás flores do desespero, aventura louca e desenfreada do amor.
Agora fechas os olhos e é para que a noite adormeça na margem do silêncio ao pé da água. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é um olhar que nos trespassa quando no cais dos olhos se navega


segunda-feira, outubro 13, 2008

Linda Eder



Man of the La Mancha. Somewhere over the rainbow.


If i had my way. Vienna. Someone like you.
A new life. Dangerous game.

Alice Duarte







Outro poema de Outono


um dia vem o outono falsamente sedutor
embala-nos em tons de terra mãe
em luzes veladas que não ferem
os olhos já cansados do Verão
a ele nos entregamos sem pudor
esperando renovar tranquilo da alma
pelo bálsamo das águas que caem



foto de Stan Mark in Autumn

sexta-feira, outubro 03, 2008

Alexandre O'Neill



De porta
em porta


-Quem? O infinito? Diz-lhe que entre. Faz bem ao infinito estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia? Ao que ele chegou! Podes dar-lhe a bengala que era do avô
-Dinheiro? Isso não! Já sei,pobrezinho, que em vez de pão ia comprar vinho...
-Teima? Que topete! Quem se julga ele se um tigre acabou nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe? Essa é muito forte! Ele tem não tem mãe e não é do Norte...
-Vítima de quê? O dito está dito. Se não tinha estofo quem o mandou ser infinito?






foto retirada da web

Grant Lee Buffalo



Honey, dont think. Fuzzy. Testimony.


Truly, truly. Lone star song.


quarta-feira, setembro 17, 2008

Affonso Romano de Sant' Anna

foto retirada daqui



O amor e o outro



Não amo melhor nem pior do que ninguém.
Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito ou ensandecido de gozo.
Já amei até com nojo.

Coisas fabulosas acontecem-me no leito.
Nem sempre de mim dependem, confesso.
O corpo do outro é
que é sempre surpreendente.


in Poetas da Língua Portuguesa

David Sylvian



September.


The sun shines high above
The sounds of laughter
The birds swoop down upon
The crosses of old grey churches
We say that we're in love
While secretly wishing for rain
Sipping coke and playing games
September's here again
September's here again


Ghosts. When poets dreamed of angels.


quinta-feira, setembro 11, 2008

Al Berto



mudança de estação

para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento

passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis da memória

luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda de noctilucos
estendida nesta mudança de estação








quinta-feira, julho 03, 2008

Jorge Santiago



PARTE I –Os meus fantasmas (em apresentação)

Os meus fantasmas acompanham-me
desde que a memória me assiste.

Nos primeiros anos, a simbiose era frágil,
eram mais um incómodo que um amigo,
a hierarquia estava mal definida,
ora comandava eu,
ora mandavam eles.

Mas é preciso esclarecer desde já,
os miasmas dos meus fantasmas
não tinham nem têm nada a ver com o cuspo
daquelas figura sinistras do apocalipse.

Curiosamente,
nunca dormiam nem descansavam,
ao contrário,
a sua presença era mais forte durante o meu sono.

Percorriam-me o cérebro,
tomavam conta dos pensamentos,
construíam e destruíam sonhos a seu belo prazer,
como senhores do terreno.

Conheciam-me melhor que eu próprio
e riam-se até das minhas tentativas juvenis
de lhes fazer frente.

Mas o tempo foi passando
e as leis da convivência foram-se impondo.

De forma gradual,
A relação com os meus fantasmas
foi ganhando novos contornos
no sentido de um compromisso na relação de forças.

Por um lado,
percebi que a sua própria existência
estava inexoravelmente dependente da minha,
viviam comigo,
viviam de mim,
enquanto eu vivesse.

Por outro lado,
sem eles,
a minha própria vida não teria sentido,
pois eles eram os meus conselheiros,
os meus amigos,
omnipresentes,
que nunca faltavam
em qualquer momento em que uma decisão se impunha,
em que uma opinião se formava,
em que as fronteiras do meu ser se definiam.

Mas os meus fantasmas não foram sempre os mesmos.

Acontecia assim como uma mudança de fantasmas
em cada mudança de ciclo de vida.
foto retirada दा web

quarta-feira, junho 18, 2008

quarta-feira, junho 11, 2008

Skunk Anansie



Weak. Secretly. You'll follow me down.

Charlie big potato. You can't find peace.

Hedonism. Lately. Charity.

Jorge Melícias




Há a boca pisada de pedras,


e o remorso
é uma parede mordida pelo eco.

A mulher fechou-se no quarto
com a noite entre as mãos.

Está funda na casa.

Mas partidas todas as lâmpadas
a cegueira é ainda uma forma de ver.

in Iniciação ao Remorso, 1998
foto retirada da web