quarta-feira, outubro 29, 2008

Paolo Nutini






Luís Brito Pedroso




A água é boa, mas o vinho...


Quis que me levasses para casa, para um reino
de silêncio e lentes nítidas
estaríamos como que intocados e
poderíamos debater se a música era doce ou àspera, se
as sílabas desses frutos seriam mais ou menos átonas
e por fim se teria nascido entre nós algum gerânio de indiferença,
passados estes ou mais anos

Teríamos tempo para escutar sussurros enrolados na memória
de beber um chá colado às bocas desse tempo
haveria um sossego uma esfera abstracta e perfeita
onde passar uma temporada de aluvião
logradouros ferrugentos onde o tabaco envelhecia
depois de me olhares nos olhos para a breve fuga
e volto onde quis que me levasses

Confissão: adrenalina, galgando carris inclinados
para os panos da vida
o que sentimos nunca esteve disponível para download
eu iria, e poderíamos entreter-nos a comparar
a nossa forma de mover os dedos de meter as mãos nos bolso
se durante a noite toda debater
que datas e números são ou não irrelevantes


foto de Mr. E retirada da web

quarta-feira, outubro 15, 2008

José Afonso




Vampiros. Canção de embalar. Natal dos simples
Balada de Outono. O que faz falta. Venham mais cinco.

Lobo Duarte



Quando no cais dos olhos se navega

Há pássaros guerrilheiros nascidos da chuva e do desespero.
Quando fechas os olhos aparece uma lua escura em volta das fogueiras apagadas de canções. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é uma bala que nos mata.
Há pássaros guerrilheiros que cantam o poder da primavera e cheiram ás flores do desespero, aventura louca e desenfreada do amor.
Agora fechas os olhos e é para que a noite adormeça na margem do silêncio ao pé da água. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é um olhar que nos trespassa quando no cais dos olhos se navega


segunda-feira, outubro 13, 2008

Linda Eder



Man of the La Mancha. Somewhere over the rainbow.


If i had my way. Vienna. Someone like you.
A new life. Dangerous game.

Alice Duarte







Outro poema de Outono


um dia vem o outono falsamente sedutor
embala-nos em tons de terra mãe
em luzes veladas que não ferem
os olhos já cansados do Verão
a ele nos entregamos sem pudor
esperando renovar tranquilo da alma
pelo bálsamo das águas que caem



foto de Stan Mark in Autumn

sexta-feira, outubro 03, 2008

Alexandre O'Neill



De porta
em porta


-Quem? O infinito? Diz-lhe que entre. Faz bem ao infinito estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia? Ao que ele chegou! Podes dar-lhe a bengala que era do avô
-Dinheiro? Isso não! Já sei,pobrezinho, que em vez de pão ia comprar vinho...
-Teima? Que topete! Quem se julga ele se um tigre acabou nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe? Essa é muito forte! Ele tem não tem mãe e não é do Norte...
-Vítima de quê? O dito está dito. Se não tinha estofo quem o mandou ser infinito?






foto retirada da web

Grant Lee Buffalo



Honey, dont think. Fuzzy. Testimony.


Truly, truly. Lone star song.