quarta-feira, novembro 26, 2008

Jorge Castro




Senhora Ministra das Más Ocorrências

Senhora Ministra das Más Ocorrências
humilde eu cá venho a V. Exª.
não trago o burel
o cordel sequer
porque a um e a outro pu-los de aluguer
mas por vir tão nu não cuide vossência
que se trata aqui de alguma indecência


o facto é que eu
Senhora Ministra
à falta de pão já como alpista
que sobra na loja que há no meu bairro
picando no chão inóspito e frio
sinto até receio de perder a fala
de perder a alma
de perder o pão

pois por tanta taxa que pago a vossência
foram-se os anéis
já ali vão os dedos
deslizo confuso perto da indigência
(deslizo é verdade
mas deslizo liso)

pago para o Iva
pago para os esgotos
pagarei a autárquica
paguei o IA
dei tudo o que tinha
e mais já não há

e taxa após taxa que ainda lá vem
na bruta labuta de quem mais não tem
já rasguei o bolso catando vintém
paguei o imposto de circulação
e ainda me falta em grande aflição
um que é uma graça que até soa bem
que vem junto à luz que cobra demora
o tal da sonora radiodifusão
pareço um burrico á roda da nora
Num paga que paga em tal profusão
que até já pensei
oh triste de mim
fugir prá Lua com os pés de fora!

vem na gasolina
está nas portagens
por isso é que eu já nem faço viagens
e quando parece que nos acontece alguma acalmia
vem-nos uma azia que nos arrefece
que nos estremece pois é já Fevereiro
que nos traz lampeiro o IRS

não sei que mais faça
o que mais me obriga
se olhos não tenho
que faço à barriga?
talvez a converta pra me render juros
talvez assim possa pagar os seguros
juros que não passam de meros patacos
e que são finos delgados e leves
que mais me parecem pêlos de sovacos

Senhora Ministra
com tão fundo zelo
neste meu desvelo pr'à fazer feliz
eu fiquei sem cheta pr'ó imposto de Selo
então o que é que eu faço?
quem é que me diz?

é que
vamos lá
sejamos cordatos
ninguém pode dar quando já não há
e se o pé descalço esperou sapatos
ficará danado se ninguém lhos dá
a própria madre Teresa de Calcutá
houve um tempo que deu
agora não dá

por isso
humilde
pobre e obngado
eu vinha pedir a V. Exª,
Senhora Ministra das Más Ocorrências
já sem o burel
o cordel sequer
uma coisa simples honesta singela
que me sugeriu este triste fado
por já não ter fundo a minha panela
lá comi o cinto
ficou-me a fivela

assim o que eu peço a V. Exª,
é a clemência
essa coisa nobre
essa coisa bela
por paus e por pedras e benevolências
porque não se movem invejas nem cunhas
mas porque a ansiedade me deixou sem unhaS
em vez de cobrar impostos a trote
vergaste-me só com bravo chicote
trocando-me as taxas as multas
impostos
por lágrimas
sangue...e por penitências!

tal eu deixaria
grato e indigente
à consideração de V. Excelência...

in Contra a Corrente, Poemas que eu digo

Zazie



Zazie (born Isabelle Marie Anne de Truchis de Varennes on 18 April 1964 in Boulogne-Billancourt) is a French singer and songwriter. She also co-produces her own albums with other producers.
Zazie's father was an architect and her mother, a music teacher.
Her songs range from upbeat rock or pop songs to languid down tempo tunes and are characterised by the wit of their lyrics based on puns, alliterations, homophonies and double entendres.
Zazie debuted in 1992 with the album Je Tu Ils and the single "Sucré salé".
In 1995, she released her second album Zen, which was co-written and co-produced with Vincent-Marie Bouvot. The album produced the singles "Zen" and "Homme Sweet Homme". Her 1996 single "Un point c'est toi" from the same album was discussed on Canada's MuchMusic TV program Too Much 4 Much due to its controversial content. Ultimately, the discussion panel deemed the video okay for audiences. In the video, a group of four smitten women, including Zazie, follow a pair of men down to a lake. There, the two men strip off their clothes and swim in the water. Zazie fantasizes about undressing one of the men and kissing him. To shock of the women, however, the two men kiss each other.
In 1997, Pascal Obispo and Zazie released the single "Les Meilleurs Ennemis".
Her 1998 album Made in Love was co-produced by Ali Staton, Pierre Jaconelli, and herself. The album photos were taken by fashion designer Jean-Baptiste Mondino. The songs "Ça Fait Mal Et Ça Fait Rien", "Tous des anges", and "Tout Le Monde" were released as singles. This album was followed by a live album, Made in Live, the next year. In 1999 she also wrote a song for Jane Birkin.
In 2001, Zazie teamed up with Axel Bauer on the single "À Ma Place". It was her most successful single in France, reaching number four on the French charts.
Zazie once again addressed gay content on her 2002 single "Adam et Yves" from her 2001 album La Zizanie. This album was produced solely by Pierre Jaconelli. Other singles included "Rue de la paix" and "Danse avec les loops". In 2003, she released another live album, Ze Live.
Her 2004 album Rodéo was co-produced with Jean-Pierre Pilot and Philippe Paradis. The video for the single "Excuse-Moi" features Zazie playing the role of an Indian woman who leaves her cheating husband. She followed this album up with a live album, Rodéo Tour in 2006.
In February 2007, was released her sixth album Totem. Just like her previous album, it is co-produced with Jean-Pierre Pilot and Philippe Paradis. The "Totem Tour" starts July 1.
She is noted for her playful use of language, which has led to the coining of the French word zazisme, or "Zazie-ism".
In 2007 too, she wrote several songs for Christophe Willem's album, Inventaire.

Home sweet home. Ca fait mal et ca fait rien.

Rue de la Paix. Rodeo. Totem. Duo.

Excuse-moi. Toc toc toc. Oui.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Jorge Santiago




Ode à crise

Nasceu de berço d’ouro em Uolstrite
onde cresceu, engordou e se fez dama
educada para todo o serviço
e dona de fino bordel,
bem longe da Meinstrite.

Comprou casa apalaçada em ofechore
de opções e futuros onde os presentes
se banhavam em taxas de juro
com espuma de édgefand
e softuére de Bangalore.

Moedas, derivativos e fundos de mágica,
imobiliário à vista e hipoteca a perder de vista
de tudo se alimentava a crise
qual doente terminal
em orgia cega e autofágica.

Ah mas a ópera bufa chegou ao grandfinal
com bolo de creme e menina de stripetise,
quiseram comer a Meinstrite
à mesa do orçamento
com ajuda governamental.

Aqui delRey, estamos perdidos, é o abismo!
Gritam banqueiros, balem gestores de fortunas.
Homens de pouca fé! digo eu,
nada como um governo social
pra salvar o capitalismo.




Novembro, 2008

Rui Veloso



Rui Manuel Gaudêncio Veloso (Lisboa, 30 de Julho de 1957), embora nascido em Lisboa o cantor mudou-se para o Porto com apenas três meses. É um cantor, compositor e guitarrista português. Considerado por muitos como o pai do rock português, movimento musical surgido no início da década de 80, foi como intérprete de blues que começou a sua carreira numa banda de garagem chamada Magara Blues.
Toca harmónica desde os 6 anos. Diz-se apreciador de B.B. King e Eric Clapton, entre outros nomes consagrados. Actuou por duas vezes com o primeiro no Coliseu do Porto e no de Lisboa, em concertos aplaudidos pela crítica. É reconhecido internacionalmente como o mais autêntico bluesman português.
A sua obra é notável e foi já reconhecida pelo Estado Português na figura do então Presidente da República, o dr. Mário Soares, que lhe atribuiu a Grã-Cruz da Ordem do Infante. É o segundo nome da música portuguesa que mais páginas tem destinadas na "Enciclopédia da Música Portuguesa", só ultrapassado por Amália Rodrigues.
É responsável por muitas das canções que fazem parte das lembranças de cada português como Chico Fininho, Porto Sentido, Não Há Estrelas No Céu, Sei de Uma Camponesa, A Paixão (Segundo Nicolau da Viola), Porto Côvo, entre tantos outros êxitos.

Rui Veloso canta, em 2006, no Porto.
Integrou o agrupamento Rio Grande, em 1996, formado por Tim (Xutos & Pontapés), João Gil (Ala dos Namorados), Jorge Palma e Vitorino, num estilo de música popular com influências alentejanas que alcançou uma considerável popularidade, gravando dois CDs: originais em 1996 e ao vivo em 1998. Mais tarde, em 2003 a mesma formação voltou a juntar-se, mas desta vez o projecto chamar-se-ia Cabeças no Ar e o estilo abandonaria o do primeiro para dar lugar a canções nostálgicas que remontam aos tempos da escola. Dali houve lugar a sucessos aclamados pelo público e que hoje Rui Veloso não deixa de cantar nos seus concertos, como é o caso de O Primeiro Beijo.
Em 2 de Junho de 2006 actuou no Rock in Rio em Lisboa, precedendo os concertos de Carlos Santana e de Roger Waters.
Ainda em 2006 cumpre os 25 Anos de Carreira, ocasião que brinda com três concertos, dois no Coliseu do Porto e um no Pavilhão Atlântico. Concerto em que apresentou novos e velhos êxitos de "cara lavada". Concertos que levam o público à apoteose total.
Recentemente cumpriu o sonho de abrir a sua própria editora o Estúdio de Vale de Lobos.


Porto Sentido. Não me mintas. Cavaleiro Andante. Lado Lunar.


Sei de uma camponesa. Chico Fininho. Não há estrelas no céu. Jura. Paixão.


quarta-feira, novembro 05, 2008

António Paiva




tenho-te


nesta ferida aberta
que não quero tratar
tenho-te
em sangue
em fogo
tenho-te
nesta ilha tão longe
em mar…
é onde mais te tenho

foto e poema retirado daqui.

Melanie Safka.


Melanie Ann Safka-Schekeryk, conhecida simplesmente por Melanie (nascida em 3 de fevereiro de 1947) é uma cantora e compositora norte-americana.
Seu talento foi reconhecido primeiro na Europa; sua música "Bobo's Party" ficou várias semanas na parada de sucessos da França em 1969, ano em que Melanie se apresentou no Festival de Woodstock. Durante seu show velas foram acesas, inspirando-a a compor "Lay Down (Candles In The Rain)", que obteve grande êxito na Europa e nos Estados Unidos.
Desde 1969 Melanie têm lançado pelo menos um álbum por ano. Com exceção de um, todos foram produzidos por seu marido, Peter Schekeryk. Melanie e Peter tiveram dois filhos (Leilah, Jeordie e Beau Jarred, todos músicos) e dois netos.


Photograph. Beautiful People. Leftlover wine.

Look what they've done to my song, Ma.
The Nickel Song. Peace will come (according to plan).
Summer Love. The Long and Winding Road.
Freedom knows my name. Some day i'll be a farmer.