sexta-feira, dezembro 26, 2008

Luís Brito Pedroso

Vida

Funciona assim:
apaga-se o cigarro e acendem-se as luzes
Gesto repetido no cheiro da cinza
O sal junta-se nas feridas agarrando a crosta
Os glóbulos são gravilha em suspensão nas veias

De repente desço dos jardins de som
Cordões de fumo amar-
-ram-nos mãos e desejo
e as pessoas sentem-se bem: não doentes

se-apaga o cigarro
se-abre o coração
e se-engolem o fumo e a gravilha
parte iónica da morte

quem diria que sorririas?
A pele expulsa glóbulos mortos
Sinto uma mensagem escapar-se pela estratosfera
e sinto-me vacilar.
O edificio circular explode
Os anjos estão rabugentos durante a muda das penas
mas as mensagens procuram-te
Pousam-te no ombro

As sementes voam
enquanto escrevo cartas
na esperança de nada
E no futuro
encostados ás mesas velhas das tascas
teremos os olhares mais vagos
e mais cheios de passado

in O meu nome a e noite, Papiro Editora
foto retirada da net

parabens ao poeta que aniversariou a 25 de Dezembro

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Ao pai natal lá de casa

Atrasada, em cima da hora do teu tempo de antena de leres pedidos...

Pois é Pai Natal, sabes que me porto muito bem e sempre atendo a que na tua mesa, cama e meandros da vida de mãe natal, nada te falte. Ponho as tuas barbas de molho, arejo-te a cabeça quando te tiro o barrete e o visto eu, lavo-te a farda e sabes que detesto o encarnado, quando vens cansado, recomendo-te o descanso e as canjas de galinha velha, etc etc e tal. Este ano resolveste terminar o ano mais cedo e, sem me consultares até me deste presentes que não queria, não precisava e que me souberam bem, sabes o apreço que te tenho, também sabes que não faltam por aí muitas mães-natal pra me substituir (3 de 20) mas há algo que eu quero que não cabe neste ano e que terás que ceder. Trata-se de uma nova viagem literária, mais precisamente ao amor através da poesia. Tenho um amigo lá prós lados das Lisbias, Carcavelos, o Peres Feio de quem já ouviste falar muito, que vai apresentar o seu livro de poesia e que não posso dispensar. Agradecia que, em conjunto, nós parte da equipa, sem trenó e sem renas - renas não permitidas no recinto - possamos nos deslocar lá e adquirir uma voltinha de baloiço. Eu que nunca te peço mais que calma, paciência e ovos moles, venho desta forma, atrasada e pública -ai, que te dá uma coisa - pedir e agradecer pedido satisfeito, sob risco de ter de arranjar novo namorado, se não me satisfizeres. Sei que vais marcar na tua agenda o 14 de Fevereiro :).

Agora, vou-me por na alheta, sabes bem das minhas mondas. Ps. I love you qb.

domingo, dezembro 14, 2008

Janis Joplin




Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã.

— Janis Joplin[1]
Janis Lynn Joplin (19 de janeiro de 1943 - 4 de outubro de 1970) foi uma cantora americana de blues, influenciada pelo rock e pelo soul com uma voz marcante e que também chegou a compor. Joplin lançou quatro álbuns, desde 1967 até o lançamento póstumo em 1971.


Janis nasceu na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos. Ela cresceu ouvindo músicos de blues, tais como Bessie Smith e Big Mama Thornton e cantando no côro local. Joplin concluiu o curso secundário na Jefferson High School em Port Arthur no ano de 1960, e foi para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com amigos.
Cultivando uma atitude rebelde, Joplin se vestia como os poetas da geração beat, mudou-se do Texas para San Francisco em 1963, morou em North Beach, e trabalhou como cantora folk. Por volta desta época seu uso de drogas começou a aumentar, incluindo a heroína. Janis sempre bebeu muito em toda a sua carreira, e sua preferida era a bebida Southern Comfort. O uso de drogas chegou a ser mais importante para ela do que cantar, e chegou a arruinar sua saúde.
Depois de retornar a Port Arthur para se recuperar, ela voltou para San Francisco em 1966, onde suas influências do blues a aproximaram do grupo Big Brother & The Holding Company, que estava ganhando algum destaque entre a nascente comunidade hippie em Haight-Ashbury. A banda assinou um contrato com o selo independente Mainstream Records e gravou um álbum em 1967. Entretanto, a falta de sucesso de seus primeiros singles fez com que o álbum fosse retido até seu sucesso posterior.
O destaque da banda foi no Festival Pop de Monterey, com uma versão da música "Ball and Chain" e os marcantes vocais de Janis. Seu álbum de 1968 Cheap Thrills fez o nome de Janis.
Ao sair da banda Big Brother, Janis formou um grupo chamado Kozmic Blues Band, que a acompanhou em I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! (1969). O grupo se separou, e Joplin formou então o Full Tilt Boogie Band. O resultado foi o álbum Pearl (1971), lançado após sua morte, e que teve como destaque as músicas "Me and Bobby McGee" (de Kris Kristofferson), e "Mercedes-Benz", escrita pelo poeta beatnik Michael McClure.

[editar] Janis Joplin no Brasil
Janis Joplin esteve no Brasil em fevereiro de 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito (como estava acostumada), cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas "fora do normal". Ela ainda foi convidada para desfilar em uma escola de samba, mas nem precisou de fantasia por causa da roupa hippie que usava (óculos redondos, colares e um chapéu com penas de pavão). E antes de voltar para os Estados Unidos, teve uma breve relação amorosa com o roqueiro brasileiro Serguei.

[editar] Morte
Janis Joplin morreu de overdose de heroína em 4 de outubro de 1970, em Los Angeles, Califórnia, com apenas 27 anos. Foi cremada no cemitério-parque memorial de Westwood Village, em Westwood, Califórnia, e numa cerimônia, suas cinzas foram espalhadas pelo Oceano Pacífico.
O álbum Pearl foi lançado 6 meses após sua morte. O filme The Rose, com Bette Midler no papel de Janis Joplin, baseou-se em sua vida.
Ela hoje é lembrada por sua voz forte e marcante, bastante distante das influências folk mais comuns em sua época, e também pelos temas de dor e perda que escolhia para suas músicas.

[editar] Discografia
Big Brother and the Holding Company
Big Brother & The Holding Company - 1967
Cheap Thrills - 1968
Live at Winterland '68 - 1998
Kozmic Blues Band
I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! - 1969
Full Tilt Boogie Band
Pearl - 1971
Big Brother and the Holding Company / Full Tilt Boogie Band
Joplin: In Concert - 1972


Try. Mercedes Benz. Summertime. Mary Jane.

Me and Bobby McGee. Flower in the sun.
Maybe. Piece of my heart. Down on me.
Work me, Lord. Get it while you can.
Rayse your hand. All is loneliness. Tell mama.


Luís Brito Pedroso




Agosto Perpétuo




Juntei em compêndio todo o segredo e ciência da sesta
A quietude nas margens do mar interior
Pedras estalando nos desertificados lugares de um infinito Al-Gharb

A urgência de viver impeliu-me
a observar todos os sóis nascentes que pudesse
e também os poentes

Num Verão eterno deixarei a escrita
os livros e os cânticos
e emergirei reencarnado
ressuscitado num anzol de prata

Invadi a vulcânica rocha de Agosto num dia carregado de chuva
numa barca inundada de sangue
Mas nada era negro
e a noite desenhava-me cada vez mais humano
sedento
gigante
e ansioso por te contemplar