domingo, dezembro 14, 2008

Luís Brito Pedroso




Agosto Perpétuo




Juntei em compêndio todo o segredo e ciência da sesta
A quietude nas margens do mar interior
Pedras estalando nos desertificados lugares de um infinito Al-Gharb

A urgência de viver impeliu-me
a observar todos os sóis nascentes que pudesse
e também os poentes

Num Verão eterno deixarei a escrita
os livros e os cânticos
e emergirei reencarnado
ressuscitado num anzol de prata

Invadi a vulcânica rocha de Agosto num dia carregado de chuva
numa barca inundada de sangue
Mas nada era negro
e a noite desenhava-me cada vez mais humano
sedento
gigante
e ansioso por te contemplar

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