sábado, dezembro 26, 2009

Man's World


Joy Denalane. Bilal. Tweet. Dweele.
Just hear it out. The song for men that turns to be a hymn to women.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Paul McCartney

Fernando Pessoa


NATAL


















Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.



Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.





(Contemporânea, nº 6, Dezembro de 1922)

segunda-feira, novembro 30, 2009

Idir (Hamid Cheriet)




If you click, at the end of this video on others videos here, you're still in Idir music's world.

Idir was born in Aït Lahcène, a Berber village in Haute-Kabylie, in 1949.
His real name is Hamid Cheriet and his career plans where far from music and close to petrolium, being geologyst. When he first appear on radio Algiers, he sang a lulluby called Avava Inouva (my little father), and nothing on his life back to the same place again. Music consumes human soul and the other way around. This song seems a hymn to Maghreb, Algeria. Avava Inouva was translated to seven languages, as far as we know about it. In 1979, Idir recorded an album called Ay Arrac Negh (to our children) but, no matter people become to crouds about him, he was not satisfied. So, critics say Idir slept for about 10 years before come back again to the land of the sounds and rythms. In 1991, Idir releases an new album compilation, assuming his returning. But his main goals still are supporting diferent causes, like peace, end of starving, life, freedom etc. L'Árgelie la vie is one of the associations on that matter created by him and Khaled.
So much more to know about him, he still is the Kabyle comunity embassador.

Carlos Peres Feio


Cantar















cantar
não é só para pássaros
é também condição humana
é impulso
é mimese
de mares e de ventos
toada de ninfas
coro de barqueiros
som dos sonhos da infância

cantar
é escola só com recreio
no gozo máximo de nos ouvirmos
uns aos outros
é o que fazemos há vinte anos
é o que nos dá força
é o que nos faz vencer
e decerto não vamos parar
falta tanto aprender

a cantar ninguém me obriga
faço-o livremente
toda a vida cantarei




Carcavelos 2009.11.27
Coral Infantil de Carcavelos – no vigésimo aniversário deste agrupamento, homenageia a Prof. Odete e todos os elementos que no grupo participaram

sábado, novembro 28, 2009

Another way to die...

A banda sonora foi feita propositadamente para o James Bond, Quantum of Solice.
Ela dispensa as apresentações por se chamar Alicia Keys. Ele imita-a, se conhecerem Raconteurs, White Stripes e por aí fora. O inconfundível Jack White.


terça-feira, novembro 24, 2009

Alberto Pereira


IMPOSSÍVEL








Chegar a ti, impossível.

As manhãs já não dizem tempo,
só o silêncio sabe o teu corpo inteiro.
Escorrego por cada palavra,
convenço a pele que não morreste.
Imagino-te ainda como se o sangue
pudesse adormecer.
Eu digo,
o sonho é ouro desavindo,
uma tocha louca no coração afogado.

As manhãs já não dizem tempo,
a mocidade das coisas
dança na peregrinação da distância.
Há beijos inebriados
que procuram a memória,
como se ontem não fosse noite.

Tenho os olhos rachados
pela obesidade das lágrimas,
são tantas as que despenteiam a ilusão.

Talvez nunca seja sempre,
por isso parto.



domingo, novembro 22, 2009

Bibliotecas, leituras e associações




Para quem desconhecia, aqui os segredos da Biblioteca Apotólica Vaticana.
Aqui da Biblioteca da Universidade Federal do Rio Grande.
Mas tens mais nesta lista extensa.

Biblioteca del Congreso - item Expo Virtual mostra

alguns tesouros dessa biblioteca argentina.




Biblioteca Digital Andina - Bolívia, Colômbia, Equador
e Peru estão representados.


Biblioteca Digital de Obras Raras - livros completos
digitalizados, como um de Lavoisier editado no século 19.



Biblioteca do Hospital do Câncer - índice desse acervo

especializado em oncologia.




Biblioteca do Senado Federal - sistema de busca nos

150 mil títulos da biblioteca.


Biblioteca Mário de Andrade - acervo, eventos e

história da principal biblioteca de São Paulo.





Biblioteca Nacional de Portugal - apresenta páginas

especiais com reproduções relacionadas a Eça de Queirós e a Giuseppe

Verdi, entre outros.



Biblioteca Nacional de España - entre as exposições

virtuais, uma interessante coleção cartográfica do século XVI ao XIX.




Biblioteca Nacional de la República Argentina -

biblioteca, mapoteca e fototeca.


Biblioteca Nacional de Maestros - biblioteca argentina

voltada para a comunidade educativa.


Biblioteca Nacional del Perú - alguns livros

eletrônicos, mapas e imagens.



Biblioteca Nazionale Centrale di Roma - expõe detalhes
de obras antigas de seu catálogo.



Biblioteca Româneasca - textos em romeno e dados sobre
autores do país.



Biblioteca Virtual Galega - textos em língua galega,
parecida com o português.



Bibliotheca Alexandrina - conheça a instituição criada
à sombra da famosa biblioteca, que sumiu há mais de 1.600 anos.



California Digital Library - imagens e e-livros
oferecidos pela Universidade da Califórnia.



Celtic Digital Library - história e literatura celtas




Círculo Psicanalítico de Minas Gerais - acervo

especializado em psicanálise.



Cornell Library Digital Collections - compilações

variadas, sobre agricultura e matemática, por exemplo.





Corpus of Electronic Texts - história, literatura e

política irlandesas.


Crime Library - histórias reais de criminosos, espiões
e terroristas.


Educ.ar Biblioteca Digital - em espanhol, apresenta

livros e revistas de "todas as disciplinas".



Gallica - Bibliothèque Numérique - volumes da

Biblioteca Nacional da França digitalizados.


Human Rights Library - mais de 14 mil documentos

relacionados aos direitos humanos.


IDRC Library - textos e imagens desse centro de
estudos do desenvolvimento internacional.


Internet Ancient History Sourcebook - página dedicada
à difusão de documentos da Antiguidade.


Internet Archive - guarda páginas da internet em seus
diversos estágios de evolução.



Internet Public Library - indica páginas em que se

podem ler documentos sobre áreas específicas do conhecimento.



John F. Kennedy Library - sobre o presidente americano

John F. Kennedy, morto em 1963.



LibDex - índice para localizar mais de 18 mil
bibliotecas do mundo todo e seus sites.



Lib-web-cats - enumera bibliotecas de mais de 60
países, mas o foco são os EUA e o Canadá.





Libweb - outro site de busca de instituições, com

6.600 links de 115 países.



Mosteiro São Geraldo - livros e periódicos sobre
história e literatura húngara, filosofia, teologia e religião.



National Library of Australia - divulga periódicos
australianos da década de 1840.


Oxford Digital Library - centraliza acesso a projetos

digitais das bibliotecas da Universidade de Oxford.


Perseus Digital Library - dedicado a estudos sobre os
gregos e romanos antigos.



Servei de Biblioteques - bibliotecas da Universidade
Autônoma de Barcelona.


The Aerial Reconnaissance Archives - recém-lançado,
site promete divulgar 5 milhões de fotos aéreas da Segunda Guerra
Mundial.



The British Library - além de busca no catálogo, tem
coleções virtuais separadas por região geográfica.



The Digital Library - diversas coleções temáticas,

como a de escritoras negras americanas do século XIX.



The Digital South Asia Library - periódicos, fotos e

estatísticas que contam a história do Sul da Ásia.



The Huntington - grande quantidade de obras raras em
arte e botânica.



The Math Forum - textos que se propõem a auxiliar no
ensino da matemática.


The New Zealand Digital Library - destaque para os
arquivos sobre questões humanitárias.


Treasures of Keyo University - um dos destaques é a
reprodução da Bíblia de Gutenberg.



Unesco Libraries Portal - informações sobre
bibliotecas e projetos voltados para a preservação da memória.




UOL Biblioteca - dicionários, guias de turismo e especiais
noticiosos.



UT Library Online - possui uma ampla coleção de mapas.


Bibliotecas virtuais



Alexandria Virtual - acervo variado, de literatura a
humor.



Bartleby.com - importantes textos, como os 70 volumes

da "Harvard Classics" e a obra completa de Shakespeare.



Bibliomania - 2.000 textos clássicos e guias de estudo
em inglês.



Biblioteca dei Classici Italiani - literatura
italiana, dos "duecento" aos "novecento".



Biblioteca Electrónica Cristiana - teologia e
humanidades vistas por religiosos.


Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro -
especializada em literatura em língua portuguesa.


Biblioteca Virtual - Literatura - pretende reunir
grandes obras literárias.



Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes - cultura
hispano-americana.



Biblioteca Virtual Universal - textos infanto-juvenis,
literários e técnicos.


Contos Completos de Machado de Assis - mais de 200
contos de Machado de Assis.



Cultvox - serviço que oferece alguns e-livros
gratuitamente e vende outros.


Dearreader.com - clube virtual que envia por e-mail
trechos de livros.


eBooksbrasil - livros eletrônicos gratuitos em
diversos formatos.



iGLer - acesso rápido a duas centenas de obras
literárias em português.



International Children's Digital Library - pretende
oferecer e-livros infantis em cem línguas.


IntraText - textos completos em diversas línguas,
entre elas o latim.


Jornal da Poesia - importante acervo de poesia em
língua portuguesa, com textos de mais de 3.000 autores.



Net eBook Library - biblioteca virtual com parte do
acervo restrito a assinantes do site.


Nuovo Rinascimento - especializado em documentos do
Renascimento italiano.


Online Literature Library - pequena coleção para ler
diretamente no navegador.



Progetto Manuzio - textos em italiano para download,
incluindo óperas: www.liberliber.it/biblioteca



Project Gutenberg - mantido por voluntários,
importante site com obras integrais disponíveis gratuitamente.



Proyecto Biblioteca Digital Argentina - obras
consideradas representativas da literatura argentina.



Romanzieri.com- livros eletrônicos em italiano

compatíveis com o programa Microsoft Reader.



Sololiteratura.com - textos sobre autores hispano-
americanos.


Textos de Literatura Galega Medieval - pequena seleção
de poesias e histórias medievais.



The Literature Network - poemas, contos e romances de
aproximadamente 90 autores.



The Online Books Page - afirma ter mais de 20 mil
livros on-line: digital.library.upenn.edu/books



The Online Medieval and Classical Library - obras
literárias clássicas e medievais: sunsite.berkeley.edu/OMACL



Usina de Letras - divulga a produção de escritores
independentes: www.usinadeletras.com.br



Virtual Book Store - literatura do Brasil e
estrangeira, biografias e resumos: www.vbookstore.com.br



Virtual Books Online - e-livros gratuitos em
português, inglês, francês, espanhol, alemão e italiano:
virtualbooks.terra.com.br



Científicos



Banco de Teses - resumos de teses e dissertações
apresentadas no Brasil desde 1987: www.capes.gov.br



Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - textos
integrais de parte das teses e dissertações apresentadas na USP:
http://www.teses.usp.br/



Biblioteca Virtual em Saúde - revistas científicas e
dados de pesquisas sobre adolescência, ambiente e saúde : www.bireme.br



Digital Library of MIT Theses - algumas teses do
Instituto de Tecnologia de Massachusetts; a mais antiga é de 1888:
theses.mit.edu



Great Images in Nasa - imagens históricas da agência
espacial americana: grin.hq.nasa.gov



ProQuest Digital Dissertations - sistema para
pesquisar resumos de teses e de dissertações:
wwwlib.umi.com/dissertations



Public Health Image Library - fotos, ilustrações e
animações voltadas para o esclarecimento de questões de saúde pública:
phil.cdc.gov



PubMed - referências a 14 milhões de artigos
biomédicos: www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi



SciELO - biblioteca eletrônica com periódicos
científicos brasileiros: www.scielo.br



ScienceDirect - mais de 1.800 revistas, de "ACC
Current Journal Review" a "Zoological Journal": www.sciencedirect.com



Universia Brasil - busca teses nas universidades
públicas paulistas e na PUC-PR: www.universiabrasil.net/busca_teses.jsp



Associações



American Library Association - sobre o sistema de
bibliotecas dos EUA: www.ala.org



Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e
Documentalistas - publicações indicadas e agenda de eventos da área:
http://www.apbad.pt/



Association des Bibliothécaires Français - dossiês
sobre o sistema francês de bibliotecas e temas correlatos:
http://www.abf.asso.fr/



Conselho Federal de Biblioteconomia - atualidades e
links de interesse da área: www.cfb.org.br



Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo -
legislação e eventos da biblioteconomia: www.crb8.org.br



Council on Library and Information Resources -
organização que se preocupa com a preservação de informações:
http://www.clir.org/



European Bureau of Library, Information and
Documentation Associations - entidade européia dedicada à promoção da
ciência da informação: www.eblida.org



International Federation of Library Associations and
Institutions - associação com membros em mais de 150 países:
http://www.ifla.org/



Sociedad Española de Documentación e Información
Científica - oportunidades, como cursos virtuais: www.sedic.es



"Acervo deixa de ser indevassável"



O diretor-geral da biblioteca Mário de Andrade, José
Castilho Marques Neto, 50, se diz apaixonado por livros de papel, mas
não nega a importância da informática e da internet para as bibliotecas.

"Com a pesquisa precisa e as obras digitalizadas, o acervo da biblioteca
deixa de ser indevassável", diz.



Castilho indica cinco sites que considera fundamentais
para a pesquisa e para a leitura em geral. "Escolhi sites que são
referência na cidade de São Paulo, no Brasil e no mundo. Busquei também
aqueles que possibilitam uma busca on-line, ao menos parcial, do
catálogo." Abaixo, as dicas de Castilho.



Biblioteca do Congresso americano - considerada a
maior e uma das melhores bibliotecas do mundo, é referência
internacional, com conteúdos trabalhados e relacionados: www.loc.gov



Biblioteca Nacional (Brasil) - o site é referência
para todas as bibliotecas do país, com farta documentação e imagens
digitalizadas, além de informações e serviços: www.bn.br



Bibliotecas da cidade de São Paulo - a cidade tem a
maior rede de bibliotecas públicas do país, e uma visita ao site é
imprescindível para conhecer suas coleções e serviços, com destaque para
as obras e imagens digitalizadas da Biblioteca Mário de Andrade:
www4.prefeitura.sp.gov.br/biblioteca/PaginaInicial.asp



Bibliotecas virtuais do sistema MCT/CNPq/Ibict -
grande referência na área de bibliotecas virtuais, é o site mais
importante no Brasil de informação e comunicação sobre ciência e
tecnologia: www.prossiga.br



Bibliotecas das universidades públicas paulistas - o
consórcio Cruesp/Bibliotecas interliga Unesp, Unicamp e USP, e o
internauta pode consultar as mais importantes bibliotecas universitárias
do país, referências para diferentes campos da pesquisa:
bibliotecas-cruesp.usp.br

Antony and the Johnson's

Another world.

Al Qabri Ramos




Envelhecer ébrio

Um tinto que lhe esbata a negrura,
um copo gasto e um olhar no nada
que o tempo se aquieta na pressa
dos outros e se deslaça, na minha.

Do relógio ao vidro de esquecimento
na mesa, que a idade dos amigos se perde
na necrologia das notícias diárias.


E das palavras cruzadas
já tão gatafunhadas,
leio o seu estado na vertical

- cansado de ser inútil, sem criações,
sem aventuras, nem preocupações
(a não ser o fígado e às vezes o papo)

- cansado de ter apenas serventia
na tasca entre o dominó de fim de tarde,
um vento que às vezes sopra
vindo de Espanha
e a chegada da cadela Laica
que o vem buscar para a cama.



- Já vou Laica, já vou.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Antero Guedes

















Ainda não cheguei à terra




Ainda não cheguei á terra
Minha alma avança
Pelos campos do urbano
Invisto nas circunstâncias
De poder ser algo que nunca sonhei...


Ainda não cheguei à terra
Debruçado sobre o parapeito
Daquela janela da cidade
Sabia que havia outras luzes
E outras saídas repentinas
Em poder chegar ao que procurava...


Ainda não cheguei à terra
Visto-me às avessas e...
desdobro-me em pensamentos:
O que vai ser de mim quando chegar à terra?


Ainda não cheguei à terra
Lavo meu corpo e estendo minhas mãos à intempérie
De comigo pensar em ser o que não sou
E da terra, apenas um pedaço, como um mar
Que sobra muito a quem quer pouco...


Ainda não cheguei à terra
Basta-me o olhar e as vestes verdes da natureza
Que salpicam em todas as viagens
E da algibeira, todos os trocos, todos contados
Para um dia chegar à terra...


Quando é que chegarei à terra?
Vejo as colinas ocupadas, agrestes,
E as neblinas contorcidas
Fazem chegar as chuvas já vencidas.


O caminho da chegada...
O mesmo da partida!
Ainda não cheguei à terra!
Viverei um dia em debandada e, em cada salto
Romperei pela calçada, meus sapatos
Até que um dia chegado à terra...
Sorrirei apenas. Todas as palavras.

foto pessoal in Sitio dos Mochos

segunda-feira, outubro 26, 2009

Gold Nuggets


If you're looking for a star
Chances are you won't go far
Were you searching in an awful funny way
There's a glow from above
And your last chance for love
And it won't be here when morning
Shows her hand
It's a love you've been shown
And a time for being alone
Cause people like me come running back for more

Now Caroline stop crying
It won't seem like a long long time
And I'll be here when the Rockies thaw in spring
I can't bring you cause it 's just too cold
And while I'm out here digging alone
Well I'll bring you home gold nuggets
In the spring

And now sometimes while I'm out
If you think of things I'm without
Then you won't feel so sorry for yourself
Cause it's clear
When you're near
How things change and then
I'll get hungry for the gold you think I've found

Manu Katché e o meu filho


Foi este o homem  (Manu Katché ) que serviu de modelo ao meu filho, quando ele tinha apenas dois anos e ingressou na Escola de Jazz do Porto, já munido com as suas baquetas e a chupeta na boca. O Baquetas, chamavam-lhe. Rui Xico, como lhe chamo quando me zango, Rui pra uns, Francisco pra outros, desde os 2 até aos 7 anos, passava, sem qualquer exagero, 6/7 horas por dia agarrado a baterias. Quando viviamos em apartamento, antes de ter a electrónica, chegou a desmontar a cozinha e a sala, com bancos e cadeiras para construir a maior bateria do mundo. Quando mudamos para uma casa, a cave ficou por conta dos instrumentos e, era lá que treinava, que ria e chorava, que fazia birras e nos encantava a tocar, por detrás de um big wallpaper de uma senhora na bateria,  e podia ler-se Drummers do it Louder. E ele desbundava nos timbalons, nos pratos, abria, afinava, mexia com as vassourinhas, fazia uns breaks "secos" e firmes, improvisando a maioria do tempo. Com 3 anos já tocava um reportório inteiro de banda e continuava a improvisar. Com 5/6 anos pediu um pedal duplo. Fomos os dois ver umas "demos" e workshops, quando calhava de vir ao Porto um grande músico ou um melhor percussionista. E ele pasmava, nem se movia, da boca dele, os lábios mexiam constantemente breaks e ritmos, os dedos tamborilavam sempre algumas novas batidas que ia tocar assim que chegasse à bateria. Teve Pearls, acústicas e electrónicas e outras que tais. Na Diapasão e noutras casas, as portas mantinham-se abertas para o Baquetas. Gostavam que experimentasse o material novo - percussão - que chegava dos States, do Japão, etc. E de imensamente tímido que era nas suas relações sociais, bastava que se aproximasse de um prato-de-choque, de um bombo, de uma pele onde podia sacar sons e transmutava-se. Com a pouca idade de 2 anos e meio, foi grande reportagem no Público, fotografado por Fernando Veludo, foi parar aos canais televisivos no dia internacional da Música, foi a programas da berra tocar, até as rádios quiseram entrevistá-lo, curiosos; chegou a tocar com Luís Represas e outros músicos no Auditório da escola de Jazz do Porto. Teve excelentes professores de bateria, caso de Brendan Hemwsworth, Nelson Cedréz. Era preciso lembrá-lo de motos e máquinas de construções, para que saísse da bateria. É assim que me lembro do Rui. Um apaixonado pelo instrumento musical. Aos 7/8 anos zangou-se com o mundo e quem pagou foi a bateria e ele mesmo. Cortou radicalmente com "ela" e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A revolta vai ser substituida pelas timbalas e pelos pedais de bombo, pelas baquetas e pelos ritmos que manteve calados em processo interno. E eu só posso dizer que estou hiper feliz, saber que ingressa numa banda, que se volta para a música, que vai fluir novamente. Podemos fugir do mundo mas não podemos fugir de nós!
(If) you know what i mean (...)



terça-feira, outubro 20, 2009

Amin Maalouf


O jornalista e escritor Amin Maalouf foi entrevistado por Rodrigues dos Santos, a Ermelinda postou no multiply e, por casualidade, o post dela não me passou ao lado (agora que, raramente o meu gmail notifier me dá conta da actividade blogueira dos meus contactos). Samarcanda e O Rochedo de Tanios são-me nomes familiares, reconheço-os de ouvir falar da literatura mas não todos os outros, como o Leão, o africano, Adriana Mater, Escalas de Levante, Um mundo de regras, Jardins de Luz, As cruzadas vistas pelos árabes e, alguns mais que não "apanhei" - pela necessidade que tenho de me prender também à leitura labial, visto ser péssima em francês. Da entrevista conduzida por Rodrigues dos Santos, gostei de tudo, mesmo a correcção feita pelo jornalista e desfeita pelo escritor sobre o Islão. Falavam de romances históricos e dos anacronismos que, ás vezes surgem em obras e só se dão conta depois da edição. No caso, não houve qualquer incorrecção porque o escritor estuda demasiado as épocas. Talvez por gostar tanto de romances históricos, de história em geral. Libanês (viveu em Beirute e no mundo durante 27 anos) e, voltando de assistir a uma guerra em Saigão,regressa a 13 de abril de 1974,aquando do despoletamento da guerra civil no Líbano, de que foi testemunha directa e alive (da sua janela pôde assistir aos primeiros disparos contra um autocarro), decidiu pôr a salvo a sua prol e ir viver para França, onde se encontra actualmente a viver, há 33 anos, sensívelmente. Faz uma viagem guiada por algumas das suas obras, sobre Leão, o africano, sobre Rochedo de Tanios - autobiografia colectiva, povo, família, autor; reinterpreta as cruzadas e a cristandade implementada à força pelo espírito reinante católico.
O que me abriu a curiosidade sobre as suas obras foram a sua despretensiosidade, a serenidade que diz necessitar para viver, a confissão de ser púdico, sonhador por temperamento e a distanciação que necessita de ter das coisas, objectos, temas, para poder escrever sobre elas. Falava, sobretudo, para responder a uma pergunta recorrente que Rodrigues dos Santos lhe fez ácerca de nunca ter escrito sobre o seu país, a não ser no quarto livro, O Rochedo de Tanios. De Escalas de Levante, o jornalista cita de Ossyane, um personagem: ...sou a favor da conciliação, da reconciliação, sou é revoltado contra o ódio. Rodrigues dos Santos questiona-o se esta deixa é de Ossyane ou se é a postura dele, ele próprio, ao que o escritor responde: Sim, esse sou eu. Maalouf diz ainda que se sente filho de dois países, o Líbano e a França mas que habita nenhum dos dois, ou antes o reduzido espaço que os medeia. E é também da sua autoria e digno de registo esta citação: O meu país é a literatura. A wikipedia oferece-nos a completa bibliografia, incluso das obras que não consegui "apanhar" em tempo útil. Dele, ficou-me a vontade de o ler.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Maria Tanase


Folk Romeno. Conhecido através do prémio Nobel da literatura deste ano.
Gosto de folk e gostei de Maria. Quiça, uma Amália Rodrigues, versão romena.
Azi Maria lui Tanase

Herta Muller, Everything i own i carry with me


Herta Müller (Niţchidorf, Timiş, 17 de agosto de 1953) é uma escritora, poetisa e ensaísta alemã nascida na Roménia.
Destaca-se pelos seus relatos acerca das duríssimas condições de vida na Roménia sob o regime político comunista de Nicolae Ceauşescu. Foi casada com o escritor Richard Wagner.
Foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2009 por "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados". (Wikipedia Source courtesy)


Dela são, também, as obras:
O homem é um grande faisão sobre a terra. Tradução de Maria Antonieta C. Mendonça. Cotovia, 1993.
A terra das ameixas verdes. Tradução de Maria Alexandra A. Lopes Difel, 1999.
O Compromisso. Tradução de Lya Luft. Globo, 2004

A surpresa na escolha prende-se com o facto de ser uma "quase-anónima" no panorama da literatura americana e europeia. Alemã, de descendência romena, notabilizou-se pelo romance A terra das ameixas verdes. O que vos deixo aqui é um excerto do último romance: Everything i own i carry with me. A espreitar melhor a linha de raciocínio da autora. Aqui.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Manifesto contra a (ir)racionalidade

Por J. A na Prova Oral de Fernando Alvim. Disponível no fb ;)

Parece que ninguém saiu chumbado :))Ouve lá, só uma beka! O texto está magnifico. E imagina, como pano de fundo desta contestação, a serra da Freita!

sexta-feira, outubro 02, 2009

Savina Yannatou




All i know about her is what Wikipedia courtesy told me. And all i need to know is that i grew my music universe through listening her. Try it. Won't hurt ;)

Savina Yannatou (Greek: Σαβίνα Γιαννάτου / Savína Yiannátou; born March 16, 1959 in Athens) is a renowned Greek female singer.

She studied singing at the Greek National conservatory in Athens and later at the Guildhall School of Music and Drama in London. In 1979 she began working as a professional and two years later participated in the recording of the critically acclaimed album "Εδώ Λιλιπούπολη" ("Edo Lilipoupoli", "Lilipoupolis here"); following that, her career took off and has since released numerous albums, singing in different languages. Her repertoire consists mainly of Mediterranean, Renaissance, Baroque and Sephardic songs, although she has a keen interest in classical, jazz and avant-garde music.

Yannatou is also a songwriter ("Rosa das Rosas", "Dreams of the mermaid"), as well as a composer for theater ("Medea" for the National Theatre of Greece), dance theater and video art. Currently she's an ECM artist[1].



Sareri Hovin Mernem



Dunie-Au

Addio Amore.

Ah Mon dieu ;). Bonus Track do Virgin Maries of the World.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Jorge Santiago




A BORBOLETA (estória infantil)

I
Podia ter sido um gato,
mas não era.
Era uma borboleta que gostaria de ter sido um gato,
mas não era.
Mesmo assim, miava com altivez,
afiava as unha nas pétalas da flores,
marcava território com o pó das suas asas
e perdia-se por uma suculenta cabeça de peixe.
Desdenhava sobranceiramente a função
polinizadora que a natureza lhe cometeu.
Preferia vagar com displicência felina
pelos quintais dos vizinhos.
Gostava de música suave, naturalmente,
nada de punks ou metals históricos ou alternativos
que lhe eriçavam os bigodes-antenas.

II
Corria-lhe a vida assim … como dizer ,
sem grandes sobressaltos,
ora mais felínica
ora mais borbolética,
mas não era feliz,
a borboleta,
faltava alguma coisa na sua vida.
Ultimamente dava por si,
entre um voo e um salto,
sentada sobre os quartos traseiros
olhando a lua.
Sentia que a alma gémea,
aquilo de que falam os poetas
que nunca se apaixonaram,
não tinha aparecido.

III
Até que certo dia,
um dia igual aos outros,
por pouco não chocou em pleno voo
com uma ave de respeitável porte!
Bico algo adunco,
plumagem de tons marron-cinza,
postura autoritária mas insinuante.
Poderia ser milhafre ou falcão,
não sei, mas certamente predadora.
Apresentou-se de forma civilizada
como sendo um pombo.
Pombo, filho de pombo e neto de pombo.

IV
Sem estrelas explodindo nem o chão estremecendo,
conversa puxou conversa,
gostos dos mesmos gostos
mais almoço menos jantar,
alguma coisa começava a surgir.
O pombo dizia que trabalhava num pombal,
era chefe por sinal,
e decidiram juntar os destinos,
a borboleta e o pombo
(ou milhafre ou lá o que era).

V
Algum tempo passou,
dias melhores dias piores,
tropeção de um lado,
empurrão do outro,
e o pombo cada vez se afirmava mais milhafre.
Cada dia rasgava um pouco das asas da borboleta
e cortava-lhe com rigor as unhas rente,
obliterando decididamente os restos
que restavam do felino que em tempos
habitou na borboleta.

VI
Até que o milhafre,
agora bem assumido,
proibiu terminantemente a borboleta de voar.
(agora, digam-me os leitores,
como se pode proibir uma borboleta de voar?)

VII
A pobre borboleta definhava, definhava,
mais parecia uma larva.
Certo dia de total desespero
em que a borboleta pensava,
entre triste e revoltada,
no seu triste destino,

Final A Final B
viu pousar na beirada da janela viu assomar à beirada da janela
uma borboleta dourada um belo gato dourado
que lhe disse: que lhe disse:
“Voa, borboleta, voa “foge, borboleta, foge,
que o sol espera por ti!” que o mundo espera por ti!”


foto de Lúcia Inês Araújo in Passo Preto
poema proseado em jeito de estória de Jorge Santiago aqui

sábado, setembro 26, 2009

World Citizen

David Sylvian.

Voices heard in fields of green
Their joy, their calm and luxury
Are lost within the wanderings of my mind
Im cutting branches from the trees
Shaped by years of memories
To exorcise their ghosts from inside of me

The sound of waves in a pool of water
I'm drowning in my nostalgia.

terça-feira, setembro 22, 2009

Paula Rêgo na Câmara Clara




Tragédia pintada de um povo contador de histórias. Vale bem a mostra de trabalhos e a entrevista em vídeo da Casa de Histórias no Estoril, para quem a artista doou 257 pinturas e emprestou mais de 100 desenhos seus. Fala de épocas distintas, de pessoas e valores, de mágoas e factos vividos, a par com a sua dificuldade de ser aceite. De auto-retratos, de fantasias misturadas com vivências, de medos e mimos, de vinganças e papões. O vómito de Salazar, o referendo do aborto, as hipocrisias e a política, a sexualidade e, para breve, as mutilações clitorianas. Paula homenageia, por assim dizer, a Fundação Gulbenkian que sempre recebeu com entusiasmo o seu trabalho. Assume-se portuguesa universal londrina ;)

Clicando no título do post, terá acesso á entrevista possível conduzida pela jornalista do Câmara Clara, da Rtp2, Paula Moura Pinheiro. A pintura é uma forma de dar rosto á reivindicação e intervenção de políticas e ferramenta anti-políticas.

domingo, setembro 20, 2009

Miriam Makeba



Soweto Blues.
Miriam Makeba enlutou um continente para sempre e, quem sabe, outros continentes, por contágio ao amor que ela punha na música, na intervenção, na luta pela igualdade e justiça de um anti-apartheid. Mais do que cantora isolada, ela era tida como Mama Africa. E o amor era recíproco. Temas como Khawuleza, Click Song, Pata Pata, Mbube e tantos outros serão referências, certamente permanentes que farão parte da história da música africana e do mundo. Morreu em Itália, no passado 10 de Novembro mas a sua voz pode continuar a ouvir-se muito graças á divulgação feita pelo seu próprio talento e um outro tanto aos meios tecnológicos cada vez mais avançados que permitem tal partilha. Youtube tem algum do trabalho dela armazenado em videos, mas existem em dvd's tournées e espectáculos, assim como em cd's que a perpetuarão em nome de África, das lutas por valores humanitários e da música, universo indispensável á humanidade mais instintiva em nós. A Wikipédia e tantos outros sites fazem biblioteca e escrevem história com os dados da sua vida, melhor do que eu que não passo de uma apaixonada pelo mundo dos sons.

sexta-feira, setembro 18, 2009

António Cícero



Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não
se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto
é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é,
velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela
ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que pássaros sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se
declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.


Sobre António Cícero e disponibilizado na Wikipedia:

Antonio Cicero Correa Lima [1] (Rio de Janeiro, 1945) é compositor, poeta, filósofo e escritor brasileiro.
Estudou
Filosofia na UFRJ; posteriormente, graduou-se na Universidade de Londres e pós-graduou-se nos Estados Unidos. Passou a lecionar Filosofia e Lógica, em universidades do Rio de Janeiro.
Escreve
poesia desde jovem, mas seus poemas só apareceram para o grande público quando sua irmã, a cantora e compositora Marina Lima passou a musicá-los. Antes, porém, já eram suas canções como Fullgás, Pra Começar e À Francesa, as duas primeiras em parceria com sua irmã, e a última com Cláudio Zoli. A partir de então, Cicero tornar-se-ia um dos mais próximos parceiros de Marina. Entre outras parcerias, destacam-se aquelas com Waly Salomão, João Bosco, Orlando Moraes, Adriana Calcanhotto e Lulu Santos (co-autor, junto com Antonio Cicero e Sérgio Souza, do hit O Último Romântico, de 1984).
Em
1982, participou de Tabu, filme de Júlio Bressane.
Em
1995, publicou O Mundo Desde o Fim, uma reflexão sobre a modernidade. Ganhou o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira na categoria estreante, com o volume poético Guardar. Lançou também um CD em 1971, Antonio Cicero por Antonio Cicero, onde recita seus poemas. Em 2002, participou, junto com outros artistas como Gabriel, O Pensador, Chico Buarque, Ronaldo Bastos, Fernando Brant entre outros, de uma coletânea de quatro CDs em homenagem ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.
É colunista do jornal
Folha de S. Paulo.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Mazzy Star





Mazzy Star é uma banda de rock americano alternativo, com formação inicial em 1989, em Santa Mónica. David Roback (o guitarrista), Kendra Smith (guitarra baixo), Hope Sandoval (vocalista), Jill Emery (o guitarra baixo actual, depois do abandono de Smith), Keith Mitchell (bateria e percussão) e William Cooper nos teclados e violino), estes os actuais membros da banda que se consagrou, pode dizer-se, através do excelente tema Fade into you. Um rock alternativo com registos de folk, psicadélico, indie, acústico e pop ligeiro e nos faz ficar atentos para uma alternativa abençoada. Entre o trabalho desenvolvido pela banda, devem nomear-se albuns como:

She Hangs Brightly,

So Tonight That I Might See

Among My Swan

terça-feira, agosto 18, 2009

Jacques Prévert





Le Discours Sur La Paix


Vers la fin d'un discours extrêmement important
le grand homme d'Etat trébuchant
sur une belle phrase creuse
tombe dedans
et désemparé la bouche grande ouverte
haletant
montre les dents
et la carie dentaire de ses pacifiques raisonnements
met à vif le nerf de la guerre:
la délicate question d'argent.



Já no final de um discurso extremamente importante
o grande homem de Estado engasgado
com uma bela frase oca
escorrega
e desamparado com a boca escancarada
sem fôlego
mostra os dentes
e a cárie dentária dos seus pacíficos raciocínios
deixa exposto o nervo da guerra:
a delicada questão do dinheiro.

Trad. para Português de Luís Eusébio

sábado, julho 04, 2009

Luís Brito Pedroso



Esboceto
Reformulo a sentença de antónio lobo:
eu hei-de amar o sítio de onde saiu esta pedra

Ao trespassar uma igreja da raia o calcário adverte:
paraíso para sempre, inferno para sempre
e só a palavra paraíso me assusta

Tu assustas-me

Nem precisamos de cambiar a paisagem
para imaginar que as nossas pernas se movem e
somos perfeitos como Michael e Apollonia

Nick Cave

The Ship Song.

Henry Lee.
Death is not the end.
Where the wild roses grow.
Dig, Lazarus, dig.

quarta-feira, junho 24, 2009

Daniel Faria





As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.

Elis Regina

Águas de Março. Que ficaram eternas em nós, na voz veludo fibra de Elis, a eterna.

sexta-feira, junho 19, 2009

Jorge Santiago




ODE À CRISE



Nasceu de berço d’ouro em Uolstrite
onde cresceu, engordou e se fez dama
educada para todo o serviço
e dona de fino bordel,
bem longe da Meinstrite.

Comprou casa apalaçada em ofechore
de opções e futuros onde os presentes
se banhavam em taxas de juro
com espuma de édgefand
e softuére de Bangalore.

Moedas, derivativos e fundos de mágica,
imobiliário à vista e hipoteca a perder de vista
de tudo se alimentava a crise
qual doente terminal
em orgia cega e autofágica.

Ah mas a ópera bufa chegou ao grandfinal
com bolo de creme e menina de stripetise,
quiseram comer a Meinstrite
à mesa do orçamento
com ajuda governamental.

Aqui delRey, estamos perdidos, é o abismo!
Gritam banqueiros, balem gestores de fortunas.
Homens de pouca fé! digo eu,
nada como um governo social
pra salvar o capitalismo.




in Roger's insight multiply
Novembro 2008
foto retirada da web

Grace Potter and the Nocturnals

Apologies.

segunda-feira, junho 01, 2009

Patxi Andion

Habría que saberlo. Patxi esteve recentemente em Portugal e o lamento é apenas o de não sermos muitos num só, pra podermos realizar todos os desejos e vontades. O de estarmos em todo o lado, omnipresentes. Faz falta ouvir esta voz a chegar mais perto do nosso lado esquerdo, provocando tempestades.

quinta-feira, maio 28, 2009

Angelus Novus



Espaço bem arejado de letras e novidades na escrita. Onde os espíritos se elevam ganhando consciência. A tal história de dar novos mundos ao mundo. Refresca os sentidos...

domingo, maio 24, 2009

José Eduardo Águalusa



O homem que vinha ao entardecer


(Ouvindo “Sonho de Um Camponês”, por Teta Lando)


Falava com devagar, ajeitando as
palavras. Falava com cuidado,
houvesse lume entre as palavras.
Chegava ao entardecer, os sapatos
cheios de terra vermelha e do perfume
dos matos.
Cumpria rigorosamente os rituais.
Batia primeiro as palmas (junto
ao peito)
Depois falava.
Dos bois, das lavras, das coisas
simples do seu dia-a-dia. E todavia
era tal o mistério das tardes quando
assim falava
que doía.


in Palavra de poeta - Antologia


Saga


Don´t Be Late.


Estávamos na minha adolescência e Saga já tinha nascido, com inicio de formação em 1971. De alicerces numa outra banda de nome Fludd, esta banda de rock progressivo oriunda do Canadá ia dar que falar. E deu. E ainda hoje me sabe bem ouvir Saga. O único ai meu é que tudo o que é bom tem fim e é exactamente, em jeito de revelia, contra esse fim que este post entra.



On the Loose. You're not alone. See them smile.


The final Chapter. What it's gonna be. Too much to loose.

quarta-feira, maio 20, 2009

Bill Fay



Don't let my marigolds die. De 1971. The sun is bored. Back to 1970's. Uma viagem á nostalgia. Não sou a única nestes processos recorrentes. Incorrigivel na gula, no perseguir de nectares intemporais. Ou coisa!Psiu! Just listen the man.



terça-feira, maio 19, 2009

Antero Guedes



Arte


Uma palavra ao artesão


Simples
Expressão.
Sua condição interna.

Imaginação.
Braços largos, mãos recorrentes e
No manuseio da semente, a dádiva é arte.

Querença.
Força bruta, impoluta, desgovernadamente
Breve, solta a bofetada crítica primitiva.

Vem ter comigo!
Quero o toque, o esplendor
Leve e suave pregado na minha alma.

Todas as cores.
Os aromas.
Os sabores.
A música.
Mãos, descansam
Do trabalho feito.
Na vida tudo é exposição.


domingo, maio 10, 2009

Daniel Faria




Estranho é o sono que não te devolve.

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde.

Como é amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.

In Explicação das Árvores e de Outros Animais, 1998

Mesa




Luz vaga.


quinta-feira, abril 30, 2009

Kirk Lightsey em Oeiras





No auditório Eunice Muños em Oeiras, no próximo dia 8 de Maio, pelas 21,30, Kirk Lightsey no piano, Sangoma Everett na bateria, Nelson Cascais no contrabaixo. convidada Maria Viana, A surpresa que podem, desde já, contar ficará a cargo da presença de Maria Anadon. Elenco de luxo e rectificação feita.

Kirk Lightsey nasceu em Detroit em 15 de Fevereiro , 1937. Com o apoio da família , começou os estudos com Johnston Flanagan .Teve depois Glady's Wade Dillard, professora entre outros de Barry Harris, Alice McCloud e Tommy Flanagan. Na Cass Technical High School, Hugh Lawson e Paul Chambers apresentaram Kirk ao jazz e, juntos, tocaram na orquestra que incluía Ron Carter e Kiane Zawadi. Em 1954 Lightsey ganhou uma bolsa de estudo para clarineta na Universidade Wayne mas, aos 18 anos optou por tornar-se profissional. Nesta altura Lightsey também trabalhou com Yusef Lateef, Melba Liston e Ernestine Anderson. Depois de cumprida a recruta ( 1960 ) regressou a Detroit e formou um dueto com Cecil McBee. Nessa época, Kirk também tocou para a Motown e arranjou tempo para estudar com o pianista clássico Boris Maximovich , sendo , no entanto primordialmente influenciado pelos mestres Hank Jones e Tommy Flannagan. Kirk Lightsey define-se como " pianista de Detroit incorporando a "...iluminação de Bud Powell , o estilo de Art Tatum e um sentimento bebop ."



terça-feira, abril 28, 2009

The Gift


foto de Pascal Cunha, em Vila Flor

A árvore geneológica do grupo pode ser vista aqui, na wikipédia. Sem dúvida, uma das melhores bandas da actualidade. Sónia Tavares, a voz dos Gift, Nuno Gonçalves, teclista, John Gonçalves, teclista e baixista, Ricardo Braga, baterista e Miguel Ribeiro, guitarrista e baixista. São os The Gift. A música é alternativa e os albuns com cunho insubstítuivel são: Digital Atmosphere de 1997, seguido de Vinyl no ano seguinte, Film em 2001 e em 2004 saiu o meu album preferido, Am-Fm. Estrondoso o sucesso. Fácil de entender foi editado em 2006 e, por último mas não o último, espero, 645.

My lovely mirror. Driving you slow. Music.

Question of love. Dream with someone else's dream.

The Wallpaper. Fácil de entender. Absolute beginners.

Ok! Do you want something simple?

Sara Santos Silva



Limpezas


Quando a mãe lhe perguntou o que estava a fazer respondeu, ainda remexendo no estojo, com o ar mais distraído do mundo "Estou a pintar a minha alma". A mãe arqueou as sobrancelhas dos olhos esbugalhados num primeiro medo de demência infantil, mas depressa encolheu os ombros zombeteiros e continuou a aspirar o tapete.O miúdo, inclinado sobre a mesa, de língua de fora e joelhos fincados na cadeira, travava a luta da sua vida com uma folha invisível. Fazia pressão para baixo, depois puxava para a direita, inclinava para a esquerda até que, num golpe de mestria, cravou os cotovelos, esfolados de outras lutas, na mesa e sossegou. Sem nunca tirar os cotovelos da superfície de madeira escura, tirou o lapis de cera mais pequenino da caixa. Pintou a folha invisível com grandes pinceladas de laranja-água e desenhou duas bolinhas paralelas e um sorriso logo abaixo a vermelho-carvão.De repente, deixou-se escorregar da cadeira e com o ar mais cansado e aliviado que alguma vez se viu num miúdo, disse: "Já está. Agora que a vejo nunca mais a perco." E saiu.A mãe, malabarista de canos de aspirador e panos do pó, num relance de inspectora de higiene e limpeza, gritou horrorizada ao ver a mesa pintada com lápis de cera. Borrifou um pano com líquido apaga-tudo e apagou a alma do miúdo.


terça-feira, abril 14, 2009

David CooK



Billie Jean. Hello. Eleanor Rigby. Just in case.

David Cook estreou-se mundialmente nos palcos americanos, através do concurso Idols, em Maio do ano passado, mas a sua carreira musical e as suas tendências já estavam desenhadas e prova disso é a banda Axium, onde David desempenhava o papel de vocalista e guitarrista. Foi muito através de temas clássicos cantados pelo mundo que David entrou no goto de milhões de ouvidos atentos á novidade. Um aparelho acústico forte e algo rouco, uma presença destemida e sensual e um á vontade em palco que só se encontra em gente com dom pró domínio da comunicação oral, no caso, a canção e a representação dramática. Os States continuam a produzir talentos e isso não me parece tão extraordinário assim, visto a modelagem ser uma técnica que se tem por si mesma. Que se copiem os modelos na sua mais alta qualidade mas que, depois de caminho iniciado, se procurem na origem de si mesmos. É o que desejo, realmente, que aconteça a este miúdo de voz e presença talentosos. O tema Permanent mostra um pouco do seu talento, apesar do video amplificar cortes.


Os temas Billie Jean, Hello, Eleanor Rigby são originais de Michael Jackson, Lionel Ritchie e Beatles, pela ordem correcta. Ouvi-o a cantar U2 e apesar de ter gostado da representação de I still havent' found what i'm looking for, numa fuga á colagem de Bono, a péssima qualidade de som do vídeo não me permite postá-la. É mais uma referência na música. Quem quer fruta, sobe á árvore. Parece-me que foi exactamente o que este rapaz fez, abalroando outros como Michael Johns com a sua esplêndida representação de Bohemian Rapsody mas não há amor como o primeiro. Queen only. Bem, passo a palavra ;) aos verdadeiros experts da música!

segunda-feira, abril 06, 2009

Rui Knopli




AEROPORTO


É o fatídico mês de Março, estou
no piso superior a contemplar o vazio.
Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon
e olha-me, obliquamente, nos olhos:
Não voltas mais? Digo-lhe só que não.

Não voltarei, mas ficarei sempre,
algures em pequenos sinais ilegíveis,
a salvo de todas as futurologias indiscretas,
preservado apenas na exclusividade da memória
privada. Não quero lembrar-me de nada,

só me importa esquecer e esquecer
o impossível de esquecer. Nunca
se esquece, tudo se lembra ocultamente.
Desmantela-se a estátua do Almirante,
peça a peça, o quilómetro cem durando

orgulhoso no cimo da palmeira esquiva.
Desmembrado, o Almirante dorme no museu,
o sono do bronze na morte obscura das estátuas
inúteis. Desmantelado, eu sobreviverei
apenas no precário registo das palavras

in O monhé das cobras, Editorial Caminho

foto daqui

Nneka




Cantora nigeriana de voz quente e intimista, aborda a música em tom pessoal. Já tem sido confundida como a nova Lauryn Hill dos Fugees mas é mais do que isso. É Nneka, 27 aninhos e uma vida promissora no planeta dos sons. Que a sua voz se faça ouvir. Depois de Victims of truth, No Longer at Ease a dar que falar. E onde há fumo, há fogo, seguindo a sabedoria do povo.



No longer at ease. Africans. Stand strong. Tide.
Teaser, come with me.

quinta-feira, abril 02, 2009

António Paiva


Breve ensaio ao nascimento


algo se inicia sem nome,
na gestação de vocábulos de amor,
metáforas de vida letra a letra,
tomando forma no venturoso ventre.




o ser de fibras moldadas em fogo brando,
abre clareiras de júbilo na carne do mesmo poema.
um corpo ávido de vida embalado pelo silêncio,
um silêncio liso na harmonia de uma alma alva e nua.

pulsa e respira em tão silenciosa frescura.
ah Primavera viva!
unida à terra onde o fruto madura,
e rompe e rasga a prodigiosa ventura,
qual magna lava do vulcão.




e há então um choro primeiro,
não de sofrimento ou de mágoa,
mas sim um rumor vivo ingénuo e livre,
talvez um primeiro pedido – de amor incondicional.


agora os tenros lábios acariciam o seio materno.


in Coisas de Burro
tela Spring de Franz Xaver Winterhalter

terça-feira, março 31, 2009

Cristina Branco no auditório de Espinho



Porque me olhas assim. Os solitários.

Vai estar ao vivo no auditório de Espinho a 17 de Abril, e eu lá estarei, pra apreciar a música e a presença desta senhora imperatriz da nossa música lá fora. Porque cá dentro, sabemos bem o tempo que demora ao reconhecimento do talento. Não é crítica, é opinião sarcástica.


Cristina Branco apresentará o seu novo trabalho Kronos.

quarta-feira, março 18, 2009

António Ramos Rosa



Para uma amigo tenho sempre um relógio


esquecido em qualquer fundo da algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra,quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

in Viagem através duma Nebulosa, (1960)

Sophie Zelmani



Sophie Zelmani (born February 12, 1972 as Sophie Edkvist) is a Swedish singer-songwriter who released her first single in 1995, called "Always You". Her music is unusual for a Swedish artist because it is based on the American singer-songwriter tradition.


Happier man. Once. To know you.


I can't change. People. Our Love.


Time to kill. Nostalgia. Breeze.


Dreamer. Stay with my heart.