quinta-feira, janeiro 22, 2009

Licínia Quitério

Buganvília

A buganvília secou.
Não esperou pelo solstício.
Duas vezes floria em cada ano.
Viu uma vez a neve
e decidiu que já tinha visto tudo.
Desistiu.
Florir sempre também cansa.
Recusou beber a água fria
com sabor a terra e a animais
enrijeceu as hastes
despediu as folhas
e ao vento as entregou.
Quando vierem as abelhas
já não encontrarão a mesa posta.
Ficaram os espinhos
e as marcas na parede.
Não passou testemunho mas
a festa escarlate dos seus cachos
perdurará na memória das abelhas.

in De pé sobre o silêncio
foto pessoal

4 comentários:

antónio paiva disse...

...

tal como eu tenho a mania de afirmar: só a poesia consegue fazer da tristeza coisa bela.

aqui, um exemplo perfeito!

abraço.

pin gente disse...

gostei muito
obrigada por partilhares as palavras de outros.
abraço
luísa

innername disse...

torna-se doce a tristeza, torna-se precisa a melancolia dos dias, pra saborear a Licinia, António

innername disse...

Faz como se estivesses em casa, Luísa ;)