segunda-feira, janeiro 19, 2009

Maria Alberta Menéres



Pretexto


Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)


foto pessoal

2 comentários:

antónio paiva disse...

...

este poema é uma genial e bela escultura, esculpida no mais puro gelo.

e como quem escreve, é tão original como a vida de cada um, na originalidade das coisas comuns, onde nos fundimos e até confundimos.

por isso aqui deixo este genérico em primeira mão, antes de o colocar lá na pastagem

“O gesto adiado enrola-se sobre si mesmo e adormece.” (Filomena Cabral) As casas já não me parecem lembranças vivas. As pessoas que mais me viam partiram; talvez sequiosas do eterno. As que restam estão à espera de partir enfrentando as agressões do transitório.

grato pela sua paciência em me esclarecer :)

innername disse...

;)
tratam-de de perspectivas diferentes, vivências diferentes e algumas cumplicidades a meio.
Gostei da postagem previa antes da pastagem ;)