quarta-feira, março 18, 2009

António Ramos Rosa



Para uma amigo tenho sempre um relógio


esquecido em qualquer fundo da algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra,quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

in Viagem através duma Nebulosa, (1960)

2 comentários:

antónio paiva disse...

...

apeteceu-me deixar aqui um pedacinho de António Ramos Rosa.

...
De novo é a primeira vez e única
Luz primeira luz da terra primeiros lábios
sopro de fibras mais intensas mais intensas
e nomes mais simples mais animais mais nus
...

um abraço.

innername disse...

abraço António e isso não me fez pensar em Ramos Rosa mas em Daniel Faria, a urgência de nomear os alimentos crus, antes de serem alimentos, parte externa da boca, o eu, o gato, a árvore, todos em reunião no quintal. Mais um abraço de poesia ao poeta