sábado, março 14, 2009

Luís Brito Pedroso



Sartre em Guadalajara

uma novela quase mexicana

Ramón não compreendia o que se passava com o seu amor
Paloma andava distante
Ramon passava os dias sentado
deprimido
sem fazer nada
Ela por sua vez não lho contava
mas estava confusa
sentia-se apaixonar pelo filho do talhante
que sem ela o saber
era seu meio irmão
fruto do caso do talhante com a sua mãe
secretamente prima de seu pai
Ramón em tempos tinha também tido um caso complicado
uma atracção fugaz pela mulher do xerife
que por acaso seria sua sobrinha
seu irmão mais velho tinha feito coisas porcas com a sogra do outro
no funeral de um presidente corrupto do condado
Mas agora era Paloma que estava entre cercas
angustiada
e Ramón angustiado também
Mal saberiam medir qual dos dois sentia um maior drama humano
senão talvez os pudessem medir com uma escala
pendurar esses dramas numa corda a enxugar
Ramón percebeu o que se passava
quando viu que Paloma não lhe conseguia falar sem baixar os olhos
Paloma começou a comer muito
e Ramón arrastava garrafas de tequilla para todos os lados
que comprava na venda de Paquito
que, não consigo explicar como
era filho do antigo padre da vila
tinha sido deixado à porta do orfanato
e talvez fosse irmão tanto de Ramón como de Paloma
São duas da tarde e para a próxima que estiver doente
juro que não meto baixa.

2 comentários:

Arabica disse...

O lado de lá da sociedade.


Eu também já não meto baixa.


Beijo

innername disse...

Boa semana de trabalho, Arabica