quinta-feira, abril 30, 2009

Kirk Lightsey em Oeiras





No auditório Eunice Muños em Oeiras, no próximo dia 8 de Maio, pelas 21,30, Kirk Lightsey no piano, Sangoma Everett na bateria, Nelson Cascais no contrabaixo. convidada Maria Viana, A surpresa que podem, desde já, contar ficará a cargo da presença de Maria Anadon. Elenco de luxo e rectificação feita.

Kirk Lightsey nasceu em Detroit em 15 de Fevereiro , 1937. Com o apoio da família , começou os estudos com Johnston Flanagan .Teve depois Glady's Wade Dillard, professora entre outros de Barry Harris, Alice McCloud e Tommy Flanagan. Na Cass Technical High School, Hugh Lawson e Paul Chambers apresentaram Kirk ao jazz e, juntos, tocaram na orquestra que incluía Ron Carter e Kiane Zawadi. Em 1954 Lightsey ganhou uma bolsa de estudo para clarineta na Universidade Wayne mas, aos 18 anos optou por tornar-se profissional. Nesta altura Lightsey também trabalhou com Yusef Lateef, Melba Liston e Ernestine Anderson. Depois de cumprida a recruta ( 1960 ) regressou a Detroit e formou um dueto com Cecil McBee. Nessa época, Kirk também tocou para a Motown e arranjou tempo para estudar com o pianista clássico Boris Maximovich , sendo , no entanto primordialmente influenciado pelos mestres Hank Jones e Tommy Flannagan. Kirk Lightsey define-se como " pianista de Detroit incorporando a "...iluminação de Bud Powell , o estilo de Art Tatum e um sentimento bebop ."



terça-feira, abril 28, 2009

The Gift


foto de Pascal Cunha, em Vila Flor

A árvore geneológica do grupo pode ser vista aqui, na wikipédia. Sem dúvida, uma das melhores bandas da actualidade. Sónia Tavares, a voz dos Gift, Nuno Gonçalves, teclista, John Gonçalves, teclista e baixista, Ricardo Braga, baterista e Miguel Ribeiro, guitarrista e baixista. São os The Gift. A música é alternativa e os albuns com cunho insubstítuivel são: Digital Atmosphere de 1997, seguido de Vinyl no ano seguinte, Film em 2001 e em 2004 saiu o meu album preferido, Am-Fm. Estrondoso o sucesso. Fácil de entender foi editado em 2006 e, por último mas não o último, espero, 645.

My lovely mirror. Driving you slow. Music.

Question of love. Dream with someone else's dream.

The Wallpaper. Fácil de entender. Absolute beginners.

Ok! Do you want something simple?

Sara Santos Silva



Limpezas


Quando a mãe lhe perguntou o que estava a fazer respondeu, ainda remexendo no estojo, com o ar mais distraído do mundo "Estou a pintar a minha alma". A mãe arqueou as sobrancelhas dos olhos esbugalhados num primeiro medo de demência infantil, mas depressa encolheu os ombros zombeteiros e continuou a aspirar o tapete.O miúdo, inclinado sobre a mesa, de língua de fora e joelhos fincados na cadeira, travava a luta da sua vida com uma folha invisível. Fazia pressão para baixo, depois puxava para a direita, inclinava para a esquerda até que, num golpe de mestria, cravou os cotovelos, esfolados de outras lutas, na mesa e sossegou. Sem nunca tirar os cotovelos da superfície de madeira escura, tirou o lapis de cera mais pequenino da caixa. Pintou a folha invisível com grandes pinceladas de laranja-água e desenhou duas bolinhas paralelas e um sorriso logo abaixo a vermelho-carvão.De repente, deixou-se escorregar da cadeira e com o ar mais cansado e aliviado que alguma vez se viu num miúdo, disse: "Já está. Agora que a vejo nunca mais a perco." E saiu.A mãe, malabarista de canos de aspirador e panos do pó, num relance de inspectora de higiene e limpeza, gritou horrorizada ao ver a mesa pintada com lápis de cera. Borrifou um pano com líquido apaga-tudo e apagou a alma do miúdo.


terça-feira, abril 14, 2009

David CooK



Billie Jean. Hello. Eleanor Rigby. Just in case.

David Cook estreou-se mundialmente nos palcos americanos, através do concurso Idols, em Maio do ano passado, mas a sua carreira musical e as suas tendências já estavam desenhadas e prova disso é a banda Axium, onde David desempenhava o papel de vocalista e guitarrista. Foi muito através de temas clássicos cantados pelo mundo que David entrou no goto de milhões de ouvidos atentos á novidade. Um aparelho acústico forte e algo rouco, uma presença destemida e sensual e um á vontade em palco que só se encontra em gente com dom pró domínio da comunicação oral, no caso, a canção e a representação dramática. Os States continuam a produzir talentos e isso não me parece tão extraordinário assim, visto a modelagem ser uma técnica que se tem por si mesma. Que se copiem os modelos na sua mais alta qualidade mas que, depois de caminho iniciado, se procurem na origem de si mesmos. É o que desejo, realmente, que aconteça a este miúdo de voz e presença talentosos. O tema Permanent mostra um pouco do seu talento, apesar do video amplificar cortes.


Os temas Billie Jean, Hello, Eleanor Rigby são originais de Michael Jackson, Lionel Ritchie e Beatles, pela ordem correcta. Ouvi-o a cantar U2 e apesar de ter gostado da representação de I still havent' found what i'm looking for, numa fuga á colagem de Bono, a péssima qualidade de som do vídeo não me permite postá-la. É mais uma referência na música. Quem quer fruta, sobe á árvore. Parece-me que foi exactamente o que este rapaz fez, abalroando outros como Michael Johns com a sua esplêndida representação de Bohemian Rapsody mas não há amor como o primeiro. Queen only. Bem, passo a palavra ;) aos verdadeiros experts da música!

segunda-feira, abril 06, 2009

Rui Knopli




AEROPORTO


É o fatídico mês de Março, estou
no piso superior a contemplar o vazio.
Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon
e olha-me, obliquamente, nos olhos:
Não voltas mais? Digo-lhe só que não.

Não voltarei, mas ficarei sempre,
algures em pequenos sinais ilegíveis,
a salvo de todas as futurologias indiscretas,
preservado apenas na exclusividade da memória
privada. Não quero lembrar-me de nada,

só me importa esquecer e esquecer
o impossível de esquecer. Nunca
se esquece, tudo se lembra ocultamente.
Desmantela-se a estátua do Almirante,
peça a peça, o quilómetro cem durando

orgulhoso no cimo da palmeira esquiva.
Desmembrado, o Almirante dorme no museu,
o sono do bronze na morte obscura das estátuas
inúteis. Desmantelado, eu sobreviverei
apenas no precário registo das palavras

in O monhé das cobras, Editorial Caminho

foto daqui

Nneka




Cantora nigeriana de voz quente e intimista, aborda a música em tom pessoal. Já tem sido confundida como a nova Lauryn Hill dos Fugees mas é mais do que isso. É Nneka, 27 aninhos e uma vida promissora no planeta dos sons. Que a sua voz se faça ouvir. Depois de Victims of truth, No Longer at Ease a dar que falar. E onde há fumo, há fogo, seguindo a sabedoria do povo.



No longer at ease. Africans. Stand strong. Tide.
Teaser, come with me.

quinta-feira, abril 02, 2009

António Paiva


Breve ensaio ao nascimento


algo se inicia sem nome,
na gestação de vocábulos de amor,
metáforas de vida letra a letra,
tomando forma no venturoso ventre.




o ser de fibras moldadas em fogo brando,
abre clareiras de júbilo na carne do mesmo poema.
um corpo ávido de vida embalado pelo silêncio,
um silêncio liso na harmonia de uma alma alva e nua.

pulsa e respira em tão silenciosa frescura.
ah Primavera viva!
unida à terra onde o fruto madura,
e rompe e rasga a prodigiosa ventura,
qual magna lava do vulcão.




e há então um choro primeiro,
não de sofrimento ou de mágoa,
mas sim um rumor vivo ingénuo e livre,
talvez um primeiro pedido – de amor incondicional.


agora os tenros lábios acariciam o seio materno.


in Coisas de Burro
tela Spring de Franz Xaver Winterhalter