quarta-feira, junho 24, 2009

Daniel Faria





As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.

Elis Regina

Águas de Março. Que ficaram eternas em nós, na voz veludo fibra de Elis, a eterna.

sexta-feira, junho 19, 2009

Jorge Santiago




ODE À CRISE



Nasceu de berço d’ouro em Uolstrite
onde cresceu, engordou e se fez dama
educada para todo o serviço
e dona de fino bordel,
bem longe da Meinstrite.

Comprou casa apalaçada em ofechore
de opções e futuros onde os presentes
se banhavam em taxas de juro
com espuma de édgefand
e softuére de Bangalore.

Moedas, derivativos e fundos de mágica,
imobiliário à vista e hipoteca a perder de vista
de tudo se alimentava a crise
qual doente terminal
em orgia cega e autofágica.

Ah mas a ópera bufa chegou ao grandfinal
com bolo de creme e menina de stripetise,
quiseram comer a Meinstrite
à mesa do orçamento
com ajuda governamental.

Aqui delRey, estamos perdidos, é o abismo!
Gritam banqueiros, balem gestores de fortunas.
Homens de pouca fé! digo eu,
nada como um governo social
pra salvar o capitalismo.




in Roger's insight multiply
Novembro 2008
foto retirada da web

Grace Potter and the Nocturnals

Apologies.

segunda-feira, junho 01, 2009

Patxi Andion

Habría que saberlo. Patxi esteve recentemente em Portugal e o lamento é apenas o de não sermos muitos num só, pra podermos realizar todos os desejos e vontades. O de estarmos em todo o lado, omnipresentes. Faz falta ouvir esta voz a chegar mais perto do nosso lado esquerdo, provocando tempestades.