segunda-feira, outubro 26, 2009

Manu Katché e o meu filho


Foi este o homem  (Manu Katché ) que serviu de modelo ao meu filho, quando ele tinha apenas dois anos e ingressou na Escola de Jazz do Porto, já munido com as suas baquetas e a chupeta na boca. O Baquetas, chamavam-lhe. Rui Xico, como lhe chamo quando me zango, Rui pra uns, Francisco pra outros, desde os 2 até aos 7 anos, passava, sem qualquer exagero, 6/7 horas por dia agarrado a baterias. Quando viviamos em apartamento, antes de ter a electrónica, chegou a desmontar a cozinha e a sala, com bancos e cadeiras para construir a maior bateria do mundo. Quando mudamos para uma casa, a cave ficou por conta dos instrumentos e, era lá que treinava, que ria e chorava, que fazia birras e nos encantava a tocar, por detrás de um big wallpaper de uma senhora na bateria,  e podia ler-se Drummers do it Louder. E ele desbundava nos timbalons, nos pratos, abria, afinava, mexia com as vassourinhas, fazia uns breaks "secos" e firmes, improvisando a maioria do tempo. Com 3 anos já tocava um reportório inteiro de banda e continuava a improvisar. Com 5/6 anos pediu um pedal duplo. Fomos os dois ver umas "demos" e workshops, quando calhava de vir ao Porto um grande músico ou um melhor percussionista. E ele pasmava, nem se movia, da boca dele, os lábios mexiam constantemente breaks e ritmos, os dedos tamborilavam sempre algumas novas batidas que ia tocar assim que chegasse à bateria. Teve Pearls, acústicas e electrónicas e outras que tais. Na Diapasão e noutras casas, as portas mantinham-se abertas para o Baquetas. Gostavam que experimentasse o material novo - percussão - que chegava dos States, do Japão, etc. E de imensamente tímido que era nas suas relações sociais, bastava que se aproximasse de um prato-de-choque, de um bombo, de uma pele onde podia sacar sons e transmutava-se. Com a pouca idade de 2 anos e meio, foi grande reportagem no Público, fotografado por Fernando Veludo, foi parar aos canais televisivos no dia internacional da Música, foi a programas da berra tocar, até as rádios quiseram entrevistá-lo, curiosos; chegou a tocar com Luís Represas e outros músicos no Auditório da escola de Jazz do Porto. Teve excelentes professores de bateria, caso de Brendan Hemwsworth, Nelson Cedréz. Era preciso lembrá-lo de motos e máquinas de construções, para que saísse da bateria. É assim que me lembro do Rui. Um apaixonado pelo instrumento musical. Aos 7/8 anos zangou-se com o mundo e quem pagou foi a bateria e ele mesmo. Cortou radicalmente com "ela" e, desde então, nunca mais foi o mesmo. A revolta vai ser substituida pelas timbalas e pelos pedais de bombo, pelas baquetas e pelos ritmos que manteve calados em processo interno. E eu só posso dizer que estou hiper feliz, saber que ingressa numa banda, que se volta para a música, que vai fluir novamente. Podemos fugir do mundo mas não podemos fugir de nós!
(If) you know what i mean (...)



4 comentários:

continuando assim... disse...

PARABÉNS PELO FILHO!!!

:)
boa semana
teresa

carlos f. peres feio disse...

muito feliz pela tua felicidade e por ele ter voltado à música! bj cpf

innername disse...

Obrigado Teresa
(continuando assim, espero)
Boa semana

innername disse...

Peres, a maré a melhorar (quando vemos os nossos filhos bem, nem tudo é mau, right?)
Abraço