quarta-feira, novembro 04, 2009

Antero Guedes

















Ainda não cheguei à terra




Ainda não cheguei á terra
Minha alma avança
Pelos campos do urbano
Invisto nas circunstâncias
De poder ser algo que nunca sonhei...


Ainda não cheguei à terra
Debruçado sobre o parapeito
Daquela janela da cidade
Sabia que havia outras luzes
E outras saídas repentinas
Em poder chegar ao que procurava...


Ainda não cheguei à terra
Visto-me às avessas e...
desdobro-me em pensamentos:
O que vai ser de mim quando chegar à terra?


Ainda não cheguei à terra
Lavo meu corpo e estendo minhas mãos à intempérie
De comigo pensar em ser o que não sou
E da terra, apenas um pedaço, como um mar
Que sobra muito a quem quer pouco...


Ainda não cheguei à terra
Basta-me o olhar e as vestes verdes da natureza
Que salpicam em todas as viagens
E da algibeira, todos os trocos, todos contados
Para um dia chegar à terra...


Quando é que chegarei à terra?
Vejo as colinas ocupadas, agrestes,
E as neblinas contorcidas
Fazem chegar as chuvas já vencidas.


O caminho da chegada...
O mesmo da partida!
Ainda não cheguei à terra!
Viverei um dia em debandada e, em cada salto
Romperei pela calçada, meus sapatos
Até que um dia chegado à terra...
Sorrirei apenas. Todas as palavras.

foto pessoal in Sitio dos Mochos

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