sexta-feira, janeiro 15, 2010

Carlos Teixeira Luís


Poetas de Sangue & Outros Caminhos

Seguramente, o vento saberá deles.
As Folhas Caídas tem um século.
O Mar encanta a Sophia em nós.
Ainda há gente que segue o Cherne,
Autodidactas como nós, gente dos outros,
Com Pluma Caprichosa, a falta que nos faz O’Neill.
Sou Pessoa, porque Pessoa nos gerou,
Mas também sou Vinicius de copo de whisky,
Não sou samba, mas sou ritmo,
Talvez bossa, talvez Drummond, talvez Bandeira,
Quem sabe Gilberto.
 



Sou Whitman, porque caminho e queria abraçar
O mundo todo, mas o mundo todo é longe.
Bem pego no violão, mas os meus três acordes
Só chegam para Dylan e uma balada roufenha,
Tenho saudades das flores e árvores
De Ramos Rosa, não as podem plantar
Por aqui?
E o céu que aquece Herberto, a sua neblina
De peito de mulher feita mar, de degraus
Para o infinito da palavra.
O amor de papoila e trigo e saudade de Espanca,
Espanca-nos a alma com a sua fragilidade.
Não, nós somos fortes, dizemos,
Somos sangue e vinho de Lorca, somos
Os tiros da madrugada falsa, que o levou.
Somos a areia fria e negra,
O rosto belo do amor de Neruda.
Somos o lamento de Paz,
Ou Jimenez, que em castelhano sabe chorar
O amor das mulheres quentes
Nas tardes frias com céu laranja de fogo.
Bebo um copo, sim senhor,
A garganta pede, mas fujo de Buk,
Pancada levarei, a sua acutilância
Faz falta, andamos moles como moles somos.
Pessoa tentamos ser.
Pessoa aprendemos a ser em escolas de corrente-de-ar.
Tenho medo das ruas frias,
Do feroz homem de arma na mão,
Quem cairá desta vez,
A memória de Pasternak, ou o rosto pintado
De Maiakovski?
Vamos de férias aos mares da pobreza
E ficamos longe, num resort protegido
Dos fantasmas de Rimbaud queimado pelo sol,
Embalado na barcaça que bebe das águas lamacentas
Do rio Níger,
Para onde me levas,
Porque insistes em me atormentar
Nas tardes de trovoada,
Corvo de Poe?
Porque me afliges com as tuas histórias mortas-vivas?
Para ser atormentado antes de morrer,
Basta viver aqui.
Aqui desprezamos os nossos poetas,
Eles vivem nas ruas de Braga,
Como vagabundos e morrem atropelados
Por motorizadas ébrias, como Alba.
Sim, Sebastião Alba, ouviste falar?
Sim, Daniel Faria, ouviste falar,
Viveu num sopro de brisa,
Num fôlego de passarinho,
Que simplesmente… cessou.
Para onde nos levará a poesia,
Para as Ondas de Woolf,
Com pedras nos bolsos?
Ou ás alamedas de abetos vociferantes
E de ciclópicas sequóias que sussuram
De Frost?
Para onde nos levam
As nossas orações de mal plantadas,
Mestre Baudelaire?
A um mero paraíso artificial?
Para onde nos levam
As nossas caminhadas sem eira
Debaixo do céu de Outubro,
Mestre Dylan Thomas?
A um tasco qualquer de perdição?
Saímos do nosso quarto bafiento,
Que ruas tomamos,
Que sombras seguimos,
Que agonia nos alimenta,
Pavese ou mesmo tu, comum Carver?
Eu por mim,
Viajante das ruas conhecidas,
Fico pelas veredas verdejantes
E caminhos de terra calcada e poeirenta
Com a voz de Janita na mente
E um ou dois poemas de Peixoto,
Não me alimentam mas
Dão-me de beber ao espírito de asas de pardal
Que me leva de farol em farol,
No meu biplano ferrugento,
Sempre junto à costa
E rente aos rostos das mulheres que estendem roupa
Como quem diz adeus.
Que achas, Cesário, terei razão,
As ruas são nossas ou não?

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Uma fotografia

Esta reportagem chegou via email e vem acompanhada de um texto que posto na íntegra. Dedico o post aos "n" de fotógrafos" que frequentam o multy e a blogspot e tiveram a felicidade de não receberem oscares nem nomeações, por nunca estarem em cenários de guerra, onde teriam que assistir à morte de civis, mais específicamente, de crianças!


A consciência é a voz da alma.
Uma foto que me deixa a pensar sobre o suicídio moral da humanidade e pensar a passagem da óptica para passar à estética do bom e do mau jornalismo, facto ou documento precioso de como uma foto representativa nos mostra aquilo em que nos havemos convertido...
Clica e envia a todos do caminho que a humanidade está a percorrer através das várias frentes de comunicação entre os homens.





En tus brazos


En tus brazos. Para quem gosta de cartoons, de hist�rias de amor e de tango.
Creio j� ter postado isto mas deve ter dado volta ao mundo e chegou-me novamente. Porque � um trabalho brilhante e bem premiado, merece ser revisto. I hope you like it

terça-feira, janeiro 05, 2010

Carlos Peres Feio


Revolta

acho óptimo revoltar-me
no final do ano
chamo a isto
dar oportunidade aos Deuses
para me cancelarem o acesso
a este mundo
aproveitem agora






Zeus, se quiseres chamo-te Júpiter
mas despacha-te
aparece para me condenares
mas traz contigo
Diana ou Ártemis
como quiseres
poupa o trabalho a
Afrodite e Eros
porque já não me recuperam
agora que estou entregue
a Baco e Apolo

fui tentado por aquele
Hermes a quem outros
chamam Mercúrio
mas lembrei-me das minhas raízes
à beira de dois oceanos
optei por alinhar
primeiro com Neptuno
de seguida com Poseidon
para a impossível fuga por mar

Zeus, vejo-te no olhar
a vontade de não me renovares o passe
e aceito-a
tens relutância em manchares
o teu séquito clássico
na tarefa – adivinho
tudo bem – não te rales
sei que podes contar
com Deuses menores
para as tarefas menos nobres
descansa – há sempre
quem queira tomar
o teu lugar

escuta... aproximam-se
chamam-se
Krishna Abraão Buda Jesus Maomé
esses revisores
quero lá saber
saio na próxima estação


In Carlos Peres Feio2009
foto daqui