sábado, fevereiro 06, 2010

José Tolentino de Mendonça


A casa onde às vezes regresso é tão distante













A casa onde às vezes regresso é tão distante

da que deixei pela manhã

no mundo

a água tomou o lugar de tudo

reúno baldes, estes vasos guardados

mas chove sem parar há muitos anos



Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai

uma viagem se deu

entre as mãos e o furor

uma viagem se deu: a noite abate-se fechada

sobre o corpo



Tivesse ainda tempo e entregava-te

o coração







in A Que Distância Deixaste o Coração

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