quarta-feira, março 31, 2010

The Proclaimers


A letter from America.
Throw the "R" awayI'm on my way. I'm gonna be.

Wiki informations's courtesy.

Al Qabri Ramos
















sem assunto

São inúmeras especiarias,
fruta diversa verde e avessa
são flores de mil cores e sem estação,
de trinta e duas lembranças de pedra,
de noite distantes, vazias...
muita folha, muita erva,
são saudades sem idade
de ter saudades nenhumas.


Colibris pintando os sem assuntos,
os meus. Os céus.
Palavras amargas, atitudes controversas,
temperamento de picos, tenazes
e abutres que temos por companhia.

E quando a estação
se recolhe e nos não esquece
um certo outono feito de verão,
perdemos a ligeireza à lingua,
perdemos a primavera,
entorpecemos as artérias
quase entupidas, à mingua (...)
E fazemos do peito
um campo de batalha de amor.

É muita fruta, muita folha,
muito chaparro.
É muita colheita pra
tão rara semeadura
Anula-me lá as saudades.


in Cantos à desgarrada

terça-feira, março 23, 2010

Grace Potter and The Nocturnals



Treat me right.
Rolling Stone.
More information with Wiki courtesy. She's so great.

Jorge Santiago

REFLEXÕES DE EPAMINONDAS


A GRUTA I epaminondas terminou a obra a que dedicara os melhores anos da sua vida, a reconstrução de Tebas. decidiu então recolheu-se a uma gruta, espartana como convém, para meditar, jejuar de...







A GRUTA

I

epaminondas terminou a obra

a que dedicara os melhores anos da sua vida,

a reconstrução de Tebas.

decidiu então recolheu-se a uma gruta,

espartana como convém, para meditar,

jejuar de guerras e outros prazeres carnais

e fazer contas ao passado com olhos de presente.

II

epaminondas sabia que esse processo

de contabilidade psicanalítica

não passaria de exercício aritmético viciado

em que o resultado era previamente conhecido.

pois não é, cada um de nós, no presente,

a soma algébrica dos deves e dos haveres

acumulados ao longo dos tempos passados?

III

epaminondas sabia, pois era homem

de extenso saber de experiências feito,

que ponderada a importância de cada ato

ou desato mais ou menos intencional,

por coeficiente que refletisse o seu peso

no desenvolvimento dos presentes futuros,

depois somasse e subtraísse as variáveis,

inapelavelmente surgiria o rosto familiar

do personagem que integra o eu-atual de cada um.



A QUESTÃO

IV

epaminondas sabia que o verbo inicial

e detonador de todo o pensamento,

teria que sair da fatal questão:

“ah se eu pudesse mudar o passado…..”

e que afirmariam uns:

“eu não mudaria uma linha!”

e que clamariam outros:

“sim, há coisas que …. talvez…”

onde cada posição denuncia

uma forma diferente de cada um atravessar a vida

e de se relacionar dentro do caldo cultural dos humanos.

V

epaminondas sabia ainda, por simples empirismo,

que os deuses não tinham criado os homens iguais,

fosse por lamentável e imperdoável incúria divina,

fosse porque os deuses já teriam antecipado que

a criação do homem não seria obra prima

nem digna sequer de menção honrosa.

em qualquer dos casos, tudo deixava adivinhar,

como aliás os testamentos da história

(os velhos, os novos ou os contemporâneos)

se encarregaram de demonstrar à exaustão,

que a criação do homem seria um ato falhado dos deuses.

VI

epaminondas inferiu assim, logicamente,

que dessa inconsistência do barro genético

resultaria que nem todos os homens aprenderiam

à mesma velocidade, havendo mesmo

muitos a quem essa capacidade seria negada.



APRENDIZAGEM

VII

epaminondas não sabia, nem poderia sabê-lo,

pois os deuses mantinham o poder de adivinhação

restrito aos limites olímpicos e a uns poucos oráculos,

que os homens que não aprendem

se multiplicariam mais depressa que os outros

e que, assim, em escassos séculos,

a terra seria deles, dos homens que não aprendem!

VIII

dos homens que aprendiam,

reza a tradição popular

que se agregaram nas academias

e outras instituições de diversão e recreio

onde afincadamente produziam saber

que a ninguém interessava nem ninguém entendia,

enquanto os homens que não aprendiam

cogitavam na melhor e mais expedita forma

de repetir os erros do passado,

entronizando-se na passerelle das paradas militares,

eternizando-se em bustos de mármore

ou cunhando-se em anversos de moeda corrente.

IX

epaminondas, fatigado de meditar, adormeceu,

e passaram, assim, quase três mil anos

em que o tebano general e pensador,

não tendo pedido a ninguém que o acordasse

(ninguém se atreveria a fazê-lo sem expressa ordem!),

mais não fez que dormir o sono justo dos heróis.



ATO FALHADO

X

nada de mais entretanto acontecera.

os piores receios dos deuses confirmaram-se,

ou não fossem eles deuses.

os homens nunca mais se recompuseram

dos maus tratos de que foram vítimas

por parte do pai criador,

particularmente a expulsão da casa paterna

como castigo desmesurado por mero pecadilho

de juventude entregue a si própria.

XI

epaminondas acordou finalmente

do reparador sono de quase três milénios.

tomou um duche rápido e encomendou

um croissant, um sumo de laranja

e um café curto bem forte.

XII

ligou o laptop e conectou-se em banda larga,

correu os olhos pelos emails

e concentrou-se na leitura do Financial Times.

crises financeiras, greves e despedimentos,

tremor de terra aqui, inundação ali,

incontáveis conflitos armados de dimensões

e violência para todos os gostos e paladares,

enfim, o trivial, nada, afinal, que o grego não tivesse

já visto e revisto ao longo da sua vetusta idade.



O CIRCO

XIII

uma coisa, contudo, deixou epaminondas perplexo,

se não mortalmente desiludido!

mesmo sabendo ele que os homens não aprendem,

esperaria o general que o sistema de

convivência que tinha sido inventado

no tempo da sua juventude e a que os seus

compatriotas chamaram democracia

se tivesse espalhado pelas terras do planeta

e fosse prática comum entre os homens.

XIV

passados três mil anos, o sistema

era totalmente desconhecido

da larga maior parte dos poderes vigentes

ou, na melhor das hipóteses,

permanecia em fase experimental

nos raros locais onde era utilizado.



EPÍLOGO

XV

O choque foi demasiado grande

e epaminondas entrou em depressão profunda.

fez terapia de grupo durante 3 anos,

assumiu a sua secreta filiação maçónica

e entrou para a ordem dos monges de Cister,

tendo dedicado o resto da sua vida

ao cultivo de vegetais hidropónicos

e à produção de geleias e compotas.



O tempo envelhece e os homens não aprendem.

terça-feira, março 16, 2010

Lacóbriga Check Sound em Lagos, Algarve


 Lacóbriga Check Sound - stage 1, pelas 21h30, no LAC - Laboratório de Actividades Criativas (antiga Cadeia de Lagos).

O Lacobriga Check Sound é um projecto que tem como objectivos promover as bandas do concelho ao nível regional e nacional, estimular a colaboração e participação de músicos regionais e nacionais, fomentando a partilha de conhecimentos e troca de experiências, potenciando o aparecimento de novos grupos musicais.

O Stage 1 irá realizar-se no LAC – Laboratório de Actividades Criativas (antiga cadeia de Lagos), no próximo dia 20 de Março de 2010 com:



THE MURDER CASE - www.myspace.com/themurdercasemusic

NEW LEVEL - www.myspace.com/newlevelband

THRASHYLVANIA – www.myspace.com/welcometothrashylvania



Inicio dos concertos: 21H30

Entradas: 3,5€ Geral / 2€ amigos e artistas residentes do LAC

Para mais informação acerca dos concertos a realizar no âmbito deste projecto, consultar www.myspace.com/checksound
O Lacobriga Check Sound conta com os apoios da Câmara Municipal de Lagos e da Direcção Regional de Cultura do Algarve.
Informamos todos os interessados que o Centro de Documentação e Secretaria do LAC mantêm o horário: 2ª, 3ª, 5ª e 6ª das 10h30 às 14h30 e das 15h às 19h e que está disponível, desde Setembro, Internet Wireless, sendo mais um ponto de acesso gratuito à Internet em Lagos.



O LAC – Laboratório de Actividades Criativas – Associação Cultural é uma associação sem fins lucrativos, formada em 1995, sediada no edifício da antiga cadeia de Lagos.
Tem como objectivo principal dinamizar e promover a criação artística no barlavento algarvio, nomeadamente na divulgação dos artistas residentes nesta zona, promovendo a interdisciplinaridade e o contacto destes com outros artistas e instituições culturais nacionais e internacionais, com vista à troca de ideias e intercâmbios de iniciativas.

sexta-feira, março 05, 2010

Carlos Peres Feio


















Para Quem detiver o Código

a manhã acordou antes de mim
nem uma folha mexia
as ameaças no ar
eram do fim do mundo
o compasso de um relógio
dizia que tudo termina
um dia

já não viajo como dantes
os circuitos estão no redil
da minha cabeça

nunca sou sozinho
como à mesa dos fantasmas
que me são indispensáveis
deito-me em cama preenchida
com imagens sensuais
que de ti registei

uso os versos escritos
como colete salva vidas
e assim tenho a garantia
de ter conhecido de muito perto
o fogo de que me alimento

em mente três
últimos pensamentos
para um final feliz
Amizade Afeição Amor






in Carlos Peres Feio