sábado, junho 05, 2010

Antero Guedes

















Pelas linhas escuras...
dos teus movimentos,
irascível semblante,
trabalhei o desejo à boca
que te beija, silenciando tuas palavras
obsoletas palavras -
enroladas projecções tribais
- e, assim, aconteceram teus gemidos,
meus ais...

da brecha de luz
repartida em nossos corpos
estendemos em equilíbrio a paleta e habilitamos

perdidas cores em danças ancestrais...

pelos dedos e pelas mãos largas de um amor mudo,
percorremos os segmentos de todos os pontos-cardeais
instigados, ainda, por espectros-voláteis
e foi assim que nossa máscara foi exposta:
preencheu com azul, o céu.
A castanho, a terra;
verde, os campos e as copas das árvores...
e essas flores que vimos tocadas por viciosas malhas de cores
cobriram nosso lar, rarefeito, leito marca d´água.
... sim, outrora, uma só estrada rasgava nossa profecia...

e assim tivemos eternidade
assim é... nas malhas da vida: deitados, em pé.

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