sábado, março 31, 2012

Laurie Anderson



Transitory life. Strange Angels. Kokoku. Excelent birds. Zero and one.
Gravity's angel. Langue d'amour. Like pictures. Into your dreams.
World without end. Freefall. The Puppet Motel. Night in Baghdad.
This House of Blues. Bodies in motion. Language is a virus. Superman.
Lost art of conversation. Hang on to your emotions. I'll be your mirror.
Big Science.  Born, never asked. It Tango. Thinking of you. In our sleep.
You are dust. My right eye. Another day in America. From the air.
It's not the bullet that kills you (it's the hole). Walking and falling.
Sweaters. Let X=X. Dark angel. Say Hello. I dreamed i had taked a test.
Three songs for paper. The day the devil. Poison. Broken. Slip Away.
Strange perfumes. Progress. Love among the sailors. Blue Lagoon.



Laura Phillips, "Laurie" Anderson (born 5 June 1947[1]) is an American experimental performance artistcomposer and musician who plays violin and keyboards and sings in a variety of experimental music and art rock styles. Initially trained as a sculptor,[2] Anderson did her first performance-art piece in the late 1960s. Throughout the 1970s, Anderson did a variety of different performance-art activities. She became widely known outside the art world in 1981 when her single "O Superman" reached number two on the UK pop charts. She also starred in and directed the 1986 concert film Home of the Brave.[3]
Anderson is a pioneer in electronic music and has invented several devices that she has used in her recordings and performance art shows. In 1977, she created a tape-bow violin that uses recorded magnetic tape on the bow instead of horsehair and a magnetic tape head in the bridge. In the late 1990s, she developed a talking stick, a six-foot-long baton-like MIDI controller that can access and replicate different sounds.[4]
Laurie Anderson married singer/songwriter and guitarist Lou Reed in 2008.[5]
To continue to read, please click on Wikipedia here



sexta-feira, março 30, 2012

Elisa Lucinda




Aviso da Lua que menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

segunda-feira, março 26, 2012

Vítor Ramil



Espaço. Foi no mês que vem. Semeadura. Loucos de cara. Joquim.
Deixando o pago. Querência. Estrela, estrela. Sexie Sadie. Assim assim.
Saudades dos aviões da Panair. Ramilonga. Vento negro. Gaudério.
Deixa eu me perder. Passageiro. Que horas não são. Não é céu. Viajei.
Sapatos em Copacabana. Longe de você. Astronauta lírico. Perdão.
A zero por hora. A ilusão da casa. Milonga de Albornoz. De banda.
Livros no quintal. Chimarrão. Valérie. O milho e a inteligência. Eco.
Noturno. Subte. Milonga de los morenos. Um dia você vai servir alguém.
Grama verde. Milonga de Manuel Flores. Milonga das sete cidades.
Milonga para los orientales. Milonga de dos hermanos. Pingo à Soga.
Só você manda em você. Nada a ver. Invento. Noite e dia.
A word is dead. Destiny. Neve de papel. 12 secundos de oscuridad.



Vitor Ramil, tem 49 anos e nasceu em Pelotas, Brasil a 7 de abril de 1962. É músico, intérprete, compositor e escritor. Está no mundo da música desde a década de 80 e "continua a ser um segredo bem guardado" da música brasileira. Em matéria de obras literárias, Pequod, A estética do frio e Satolep.
Para mais informações do seu percurso profissional sobre a carreira, consultar a wikipedia. 


Jorge Luís Borges




Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.




 in A Cifra 
Poema traduzido por Fernando Pinto do Amaral

domingo, março 25, 2012

Madredeus



O pastor. Vaca de fogo. Alfama. Ao longe, o mar. O sonho. Oxalá.
Silêncio. Alma. O paraíso. Coisas pequenas. Voltarei à minha terra.
Destino. O olhar. O Tejo. Ainda. As brumas do futuro. A vida boa.
Ergue-te ao sol. O segredo do futuro. Vozes no mar. Guitarra. Vem.  
As ilhas dos AçoresQuem amo. O pomar das laranjeiras. Carta para ti.
Tardes de Bolonha. A margem. Ao crepúsculo. Afinal, a minha canção.
Palpitação. Não muito distante. Moro em Lisboa. Fado das dúvidas.
As montanhas. A cidade. Um raio de luz ardente. A quimera. O navio.
Ecos na catedral. A capa negra. O fim da estrada. Amanhã. Anseio
Os senhores da guerra. O Brasil. Era de Maggio. Vulevo al Sur.Adeus.
Cuidado. Milagre. Agora. A praia do mar. A tempestade. Vislumbrar.
Labirinto Parado. Eclipse. A cantiga do campo. O cais distante. Tarde, pf.
Estrada do monte. Os moinhos. Matinal. O meu amor vai embora.
A vontade de mudar. SolstícioConfissão. O menino. Viagens interditas.
Andorinha da Primavera. Miradouro de Santa Catarina. Fado do Mindelo.


Os Madredeus são um dos grupos musicais portugueses de maior projecção mundial. A sua música combina influências da música tradicional portuguesa com a música erudita e com a música popular contemporânea. A musicalidade do grupo foi, erradamente, tida como fado, género musical português mais conhecido internacionalmente, sobretudo pela imprensa fora de Portugal. O grupo nunca se descreveu desta forma, ainda que declarasse existir uma aproximação ao "espírito musical" do fado.
Nos seus vinte anos de carreira, os Madredeus lançaram 14 álbuns e estiveram em tournée em 41 países - incluindo a Coreia do Norte e um festival de música na Noruega, dentro do Círculo Polar Árctico.
Para ler mais, aqui.



Antonio Tabucchi

Uma homenagem ao escritor italiano que sonhava em português e morreu esta manhã em Lisboa, contando 68 anos. Da sua obra vastíssima, Afirma Pereira foi levado às telas por Marcelo Mastroianni.
O escritor era natural de Vechiano, Pisa, tendo sido professor de língua e literatura portuguesas na Universidade de Siena. Antonio foi tradutor, crítico e apaixonado pelo espólio de Fernando Pessoa e pelo país adoptado e da sua obra deixada, ficam-me registos familiares de: Mulher de Porto Pim, O Anjo Negro, afirma Pereira, Tristano morre e Requiem.





sábado, março 24, 2012

Pavlov's Dog



She came shining. Theme from subway Sue. Late November. Julia.
I don't do so good without you. Painted ladies. Fast gun. Song dance.
Did you see him cry. Preludin. Of once and future kings. Only you.
Jenny. Angeline. Ava Gardner's Bust. We walk alone forever again.
Angel's twilight jump. Jubilation. Oh Suzanna. We all die alone.
Suicide.  Early mornin' in. Lost in America. Mersey. Natchez trace.
Gold Nuggets. Standing here with you. Valkerie. It's all for you.
I dont need magic anymore. Breaking Ice. Tawny. I love you still.


A banda americana de rock progressivo era composta originalmente por David Surkamp (vocal e guitara), Steve Scorfina (guitarra), Mike Safron (bateria), Rick Stockton (baixo), David Hamilton (teclado), Doug Rayburn (mellotron e flauta) e Siegfried Carver (nascido Richard Nadler). Richard Nadler deixou a banda após o primeiro álbum. Em 1976, após o lançamento do segundo álbum At the Sound of the Bell, David Hamilton deixou a banda, sendo substituido por Tom Nickeson. O ex-baterista dos Yes Bill Bruford participou em algumas sessões da banda, e o terceiro álbum contava com Kirk Sarkisian na bateria.
O álbum de estréia Pampered Menial foi lançado em 1974 e o segundo álbum At the Sound of the Bell em 1976. A banda gravou um terceiro álbum em1977, mas devidos às baixas vendas dos anteriores, a Columbia Records resolveu não lançá-los, levando ao fim da banda. O álbum acabou sendo lançado nos anos 1980 sob forma de bootleg, uma edição limitada produzida a partir de gravações roubadas. Foi lançada como nome The St. Louis Hounds, sem o nome Pavlov's Dog na capa. Foi relançado legitimamente em CD em 1994 pela gravadora alemã TRC.
A voz única de David Surkamp é comparada a de Geddy Lee, vocalista do Rush. Quando a banda terminou no final da década de 1970, havia falsos rumores que Surkamp havia falecido, apesar de ele ter participado com o ex-membro do Fairport Convention Ian Matthews na banda Hi-Fi.
Em 26 de junho de 2004 um concerto em Saint Louis reuniu novamente a formação original da banda, exceto por Siegfried Carver.


Cortesia Wikipedia, para continuar a ler.

Ana Porfirio

Jogos da fome

 escolha de foto de Ana Porfirio


Há um bocado passei frente ao cinema e pensei que era um sitio agradável para me sentar no escuro e desligar, mas outros valores se levantam e os preços dos bilhetes de cinema já pesam, entre os filmes em exibição está “Os Jogos da Fome”, por um momento ocorreu-me que era um filme explicativo do memorando da troika, até porque levei parte da manhã confrontada com cada vez mais famílias que pedem apoio alimentar, que eu já não tenho para dar, porque ainda não consegui fazer o milagre da multiplicação, por outro lado também suspirei de desespero com a informação oficial que em vez do fornecimento habitual de excedentes de produção da União Europeia (até o estômago dá voltas quando penso que num mundo onde há fome haja esta aberração dos “excedentes de produção”), mas dizia eu que em vez do carregamento habitual que inclui: massa de vários tipos, farinha, leite em pó, arroz, açúcar, sobremesas lácteas, bolachas, queijos e manteigas, este ano será restrito a três alimentos: bolachas, farinhas lácteas e leite. Adiante, afinal o filme não tem nada a ver com isso, segundo me disseram, mas bem podia ser, afinal se já se fizeram Programas de TV para encontrar parentes, pedir desculpas, resolver crimes com recurso a médiuns, bem como pagar contas em atraso, bem que se podia fazer uma longa-metragem sobre os Jogos da Fome, sobre esta coisa de tentar vazar o mar a bochechos, sobre a brincadeira da especulação bolsista e imobiliária, sobre esta ideia parva de se ter os custos energéticos bem como os impostos nos píncaros, os salários pelas ruas da amargura e esperar assim a retoma da economia, o que basicamente é estúpido, porque sem consumo o dinheiro não circula, as receitas fiscais baixam, sem investimento não há desenvolvimento, sem emprego não há consumo, numa eterna pescada ramelosa de lábios na cauda, entretanto fui tratar de outras necessidades emergentes porque o meu frigorifico parece as estepes geladas da Antárctida e a despensa parece o deserto do Saara, enquanto vou tendo ordenado vou conseguindo repor o povoamento dessas coisas, se bem com o recurso a marcas próprias e a acabar a falar sozinha com a conta do supermercado a tentar perceber como é que cada vez menos coisas dão uma conta tão grande, entretanto vão-se jogando estes jogos de azar, onde se substitui emprego por cantinas sociais, onde se substitui solidariedade por uma caridade pindérica, onde a agressão a jornalistas é justificada pelo facto de não se terem identificado como tal, como se qualquer outra pessoa fosse menos pessoa por ter outra profissão e como tal as bastonadas fossem admissíveis.  

terça-feira, março 20, 2012

André Breton

                                                                   "Untitled", 1937


Girassol
(A Pierre Reverdy)

A viajante que atravessou os Halles ao cair do Verão
Caminhava em bicos de pés
O desespero rolava pelos céus seus grandes arãos tão belos
E na mala de mão escondia-se o meu sonho esse frasco de sais
Que só a madrinha de Deus aspirou
Os torpores pairavam como vapores de água
No "Chien qui fume"
Onde o por e o contra acabavam de entrar
Difícil lhes era ver a rapariga só de soslaio a viam
Estaria eu perante a embaixatriz do salitre
Ou da curva branca sobre fundo negro a que se chama pensamento
O baile dos inocentes estava no auge
Nos castanheiros incendiavam-se devagar os lampiões
A dama sem sombra ajoelhou-se no Pont-au-Change
Na Rua Gít-le-Coeur outros eram agora os timbres
as promessas da noite cumpriam-se finalmente
Os pombos-correio os beijos de socorro
Vinham juntar-se aos seios da bela desconhecida
Dardejados sob o crêpe dos significados exactos
Uma quinta prosperava em pleno centro de Paris
Com suas janelas viradas para a Via Láctea
Mas ninguém lá morava ainda por causa dos que viriam a aparecer
Dos que mais dedicados são que as almas do outro mundo
Alguns como esta mulher mais parecem nadar
E no amor insinua-se algo da sua matéria
Ela interioriza-os
Não sou joguete de nenhuma força sensorial
E no entanto o grilo que cantava sobre os cabelos de cinza
Certa noite junto à estátua de Étienne Marcel
Lançou-me um olhar cúmplice
André Breton disse ele vai a passar


in O amor louco, Editora Novas direcções
(ppgs 74, 75)

domingo, março 18, 2012

Sérgio Godinho




Dancemos no mundoCom um brilhozinho nos olhos. Mão na música.
A vida é feita de pequenos nadas. Definição do amor. Bomba relógio.
Acesso bloqueado. A noite passada. Lisboa que amanhece. É tão bom.
Arranja-me um emprego. Lá em baixo. Ás vezes o amor. Namoro.
O coro das velhas. Cuidado com as imitações. Elixir da eterna juventude.
O galo é o dono dos ovos. Liberdade. O charlatão. Etelvina. Fado gago.
Que força é essa. A barca dos amantes. A Carolina (e parto sem dor).
Já joguei ao boxe, já toquei bateria. Endechas a Bárbara escrava.
Não me beijes por engano. O Porto aqui tão perto. Ela tinha uma amiga.
Tantas vezes fui à guerra. Balada da Rita. Que há-de ser de nós.
Pode alguém ser quem não é. Mudemos de assunto. Pano crú. Maré alta.
Um tempo que passou. Dias úteis. Domingo no mundo. Venho aqui falar.
Valsa da vida lassa. Perdida em não sei que sonho. O amor à primeira vista.
O passado um pouco distante. Espectáculo. Bem vindo sr. presidente.
Homem dos sete instrumentos. Na prisão. Bom prazer. Emboscadas.
Isto anda tudo ligado. Chuva de Cabo Verde. Circunvalação.
Final de rascunhoO meu compadre. Vida sobressalente. VSII.
Quatro quadras soltas. Problema de EPrimeiro gomo da tangerina.
O fim de tudo. Pois é a vida. É terça-feira. Horas extraordinárias.


Sérgio Godinho nasceu em 1945, no Porto. Com apenas 18 anos de idade parte para o estrangeiro. Primeiro destino: Suíça, onde estuda psicologia durante dois anos. Mais tarde muda-se para França. Vive o Maio de 68 na capital francesa. No ano seguinte integra a produção francesa do musical "Hair", onde se mantém por dois anos. Em Paris priva com outros músicos portugueses, como Luís Cília e José Mário Branco. Sérgio Godinho ensaiava então as suas primeiras composições, na altura em francês.
Para continuar a ler, seguir o link da Wikipedia

Luís Brito Pedroso



Reacção alérgica






Corro na água inerte do futuro
Passa o tempo acumulam-se e-mails
De quinze em quinze dias uma vacina
senão sentir arder os olhos
É porque apenas o resto do corpo se queima
Os ossos dançando ao sabor da chama

O spray nasal corrói-me por dentro
Mas assim dança-se melhor
O domingo quieto é um mundo escuro em curva
Mas deslizo apavorado enquanto a luz me limpa a pele
O Sol muda a cor do meu corpo
Tento aproximar-me das nuvens
Até te conseguir ler nos lábios
Sei que me falas muito de perto
Mas não te consigo ver nem ouvir.


in (III - Máquina Sanguínea Incessante),
O Meu Nome E A Noite, Papiro Editora





quinta-feira, março 15, 2012

José Fernando Lobo Duarte





As palavras







As palavras são como os barcos e a água é a cabeça que leva as palavras. Nem sempre as palavras têm rumo, nem sempre as cabeças ajuizam certo ou justo. É preciso cuidado com as palavras, as palavras são como os barcos, ou são firmes ou vão ao fundo. A religião criou um ritual, um código, uma certeza enfadonha, mas todas as palavras religiosas são incertas, todos os lideres religiosos pensam ter verdades absolutas e por isto a religião deixa de ser uma coisa humana, Deus perdeu a humanidade, porque a duvida é o caminho para a transformação. As palavras, a existência das palavras, a morte das palavras. O amor é uma palavra e o amor não é uma palavra, contudo a justiça da palavra está implicada na existência.



Klaus Nomi



Nomi Song. I feel love. Falling in love again. Dido's lament. Silent night.
Valentine's Day. Pandaman. Three wishes. The cold song. Boys
Samson and Delilah. The Twist. You don't own me. Simple man.
Wasting my time. Angel of Suburbia. Rubberband Lazer. The interview.
Der Nussbaum. Wayward sisters. Return. Enchanté. Za Bakdaz.
Just one look. Lightning Strikes. Ding dong, the wicked witch is dead.
About. Man Parrish, about. Urgh! A music war. After the fall. Icurok.



Cortesia Wikipedia


Klaus Nomi (nascido Klaus Sperber) (24 de Janeiro, 1944 — 6 de Agosto, 1983) foi um cantor contra-tenor alemão, reputado pelas suas notáveis actuações vocais e invulgar personagem de palco, que se tornou um ícone do início dos anos 80. Morreu de AIDS em 1983, uma das primeiras celebridades a morrer com a doença.
Nomi mudou-se da Alemanha para Nova York em meados dos anos 70. Após um encontro fortuito num nightclub, David Bowie contratou-o como cantor de suporte para uma actuação no Saturday Night Live em 1979. Nomi também colaborou com Manny Parrish.
Nomi é lembrado pelos seus espectáculos bizarramente teatrais, onde usava bastante maquilhagem, roupa invulgar e penteados altamente estilizados. As suas músicas eram igualmente invulgares, desde interpretações de ópera clássica acompanhadas por sintetizadores a covers de músicas como The Twist de Chubby Checker. Nos anos 90, Nomi era frequentemente mencionado nos monólogos de Dennis Miller como uma das suas referências obscuras favoritas.
Em 2004, foi feito um documentário sobre a sua vida e carreira: The Nomi Song.
Klaus Nomi nasceu com o nome de Klaus Sperber em Immenstadt, Baviera, Alemanha a 24 de janeiro de 1944. Na década de 1960, ele trabalhou como atendente no Deutsche Oper em West Berlim, onde cantava para os outros porteiros e equipe de manutenção em palco na frente duma cortina de fogo, após as apresentações. Nesse tempo, ele também cantava árias de ópera na discoteca gay de Berlim Casino Kleist.




Rui Almeida



O homem que se olha ao espelho sabe
Que vai morrer. Não sabe quando ou como,
Mas reconhece a finitude da vida
— Da sua vida, de cada vida.

Contempla o processo biológico
E admira-se perante o zelo do tempo
A modelar-lhe a velhice no rosto.






in “Resumo, a poesia em 2009″ . Lisboa: Assírio & Alvim, 2010
foto do actor Charles Bronson retirado da web 


Biografia retirada do blog Amadeu Baptista
Rui Almeida nasceu em Lisboa, em 1972. Mantém, desde 2003, o blogue Poesia distribuída na rua. Publicou em 2009 o livro de poemas Lábio Cortado (Editora Livrododia), ao qual havia sido atribuído o Prémio Manuel Alegre, da Câmara Municipal de Águeda. Está incluído nas antologias Os Dias do Amor – Um poema para cada dia do ano (Ministério dos Livros, 2009), Divina Música (Conservatório Regional de Música de Viseu, 2009), Resumo – a poesia em 2009 (Assírio & Alvim, 2010) O prisma das muitas cores - Poesia de Amor Portuguesa e Brasileira (Labirinto, 2010), Nada onde pousar o sonho (Desafio Miqueias, 2010) em delírio há vinte anos (non nova sed nove, 2011). Tem textos publicados nas revistas Saudade, Big Ode, Callema, Sítio,Inútil, Sulscrito e ainda nas revistas online Minguante e Diversos Afins.

quarta-feira, março 14, 2012

Adoniran Barbosa




Mulher, patrão e cachaça. Apaga o fogo, Mané. Luz da light.
Torresmo à milanesa.Nóis viemo aqui pra quê. O casamento do Moacir.
Plac-ti-plac. Tocar na bandaNão quero entrar. No morro do piolho.
Abrigo do vagabundo. Demónios da GaroaDespejo na favela.
Trem das onze. Tiro ao Álvaro. As mariposa. Vila Esperança.
Piove. Samba do Arnesto. Iracema. Já fui uma brasa. Mosaicos.
Triste MargaridaUm samba no bixiga. Bom dia, tristeza.
Prova de carinhoJabá sintético. PafunçaNóis não usa as bleque tais.
Viaduto Santa EfigéniaMeu amor é o Timão. DocVide verso.
Fica mais um pouco, amor.Acende o candeeiroAguenta a mão, João.




Cortesia Wikipedia.
João Rubinato, (Valinhos, 6 de agosto de 1910 — São Paulo, 23 de novembro de 1982), mais conhecido como Adoniran Barbosa, foi um compositor, cantor, humorista e ator brasileiro. Rubinato representava em programas de rádio diversos personagens, entre os quais, Adoniran Barbosa, o qual acabou por se confundir com seu criador dada a sua popularidade frente aos demais. Adoniran ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista.
Rubinato era filho de Ferdinando e Emma Rubinato, imigrantes italianos da localidade de Cavárzere, província de Veneza. Aos dez anos de idade, sua certidão de nascimento foi adulterada para que o ano de nascimento constasse como 1910 possibilitando que ele trabalhasse de forma legalizada: à época a idade mínima para poder trabalhar era de doze anos.
Abandonou a escola cedo, pois não gostava de estudar. Necessitava trabalhar para ajudar a família numerosa - Adoniran tinha sete irmãos. Procurando resolver seus problemas financeiros, os Rubinato viviam mudando de cidade. Moravam primeiro em Valinhos, depois Jundiaí, Santo André e finalmente São Paulo.
Em Jundiaí, Adoniran conhece seu primeiro ofício: entregador de marmitas. Aos quatorze anos, já adolescente, andava pelas ruas da cidade e, legitimamente, surrupiando alguns bolinhos pelo caminho. "A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um".

Claúdio Fagundes




                       


Teus lábios,
doce mel de frutas sazonais,
se oferecem livres
ao desfrutar dos beijos.

Tua boca molhada,
ostra aberta ao desejo,
saliva de todas delícias.
A flor de todas carícias
tuas pétalas
ficam expostas aos meus sentidos.

Abre-se,
jardim das virtudes,
fazendo-se carne
e despeja sobre mim
tua água farta.

O calor de teus ermos,
o vale de tua sombra,
transmite-me, dentro de ti,
a dádiva profana da terra onde
todos os frutos habitam
e se depositam
todas as sementes

terça-feira, março 13, 2012

Gotan Project



Amor Porteño. Milonga de mi amor. Desilusion. Tango Square. Indian gipsy.
Mi confesion. La gloria. La Viguela. Paris, Texas. Lunatico. Sentimentale.
La cruz del Sur. Adios Nonino. Whatever Lola wants. Stronger than me.
Neo-tango. Last tango in Paris. Santa Maria del Buen Aire. Epoca. Celos.
Fuzzy Dream. Queremos Billie. Hotel Costes. Esclava del amor. Sola.
La musica de siempre. Criminal. Tu misterio. Divan. London in the rain.
Sufism. Queremos Paz. El hombre. Inspiration, expiration. Triptíco. Volte.
Diferente. Singin' in the rain. Rue des Cascades. Ambient Lounge. Rayuela.


Cortesia Wikipedia.


O Gotan Project é um grupo musical formado em Paris, constituído pelos músicos: Philippe Cohen Solal (francês), Eduardo Makaroff (argentino) e Christoph H. Müller (suíço).
O grupo juntou-se em 1999. O primeiro single a ser lançado foi Vuelvo Al Sur/El Capitalismo Foraneo em 2000, seguido do álbum La Revancha del Tango em 2001. A sua música insere-se no estilo do Tango, mas com elementos eletrônicos que dão ao seu estilo uma nova forma de fazer tango: o tango eletrônico.
O nome deste trio vem da inversão das sílabas da palavra tango, seguindo o costume do lunfardo, a gíria argentina, de pronunciar as palavras "al revés", ou seja, de trás para a frente.
No Brasil, o sucesso veio mesmo com o single Epoca, tema de Bárbara, na novela Da Cor do Pecado, que foi exibida em 2004 pela Rede Globo. Psra continuar a ler, aceder à Wikipedia, link acima.

Roussel, Breton e o surrealismo


Estará presente a partir de 24 de Março (até 1 de julho) uma exposição surrealista única no mundo.
Locus Solus, no Museu de Serralves, em parceria com o Museu Reina Sofia (Madrid), apresenta a primeira grande exposição sobre a figura do poeta, dramaturgo e romancista francês Raymond Roussel (Paris, 1877 – Palermo, 1933). A mostra, intitulada Locus Solus será imperdível. Impressões de Raymond Roussel sublinha a enorme influência que o autor exerceu em criadores contemporâneos, oriundos tanto do campo da literatura quanto das artes visuais.
                                  Vladimir Kush




A exposição é composta de aproximadamente trezentas peças, entre pinturas, fotografias, esculturas, ready mades, instalações e vídeos, para além de livros, documentos, revistas e manuscritos originais – suportes através dos quais se reflectirá sobre a influência de Roussel em alguns movimentos de vanguarda, especialmente no surrealimo. Alguns dos reconhecidos artistas com obras na exposição são, entre outrosMarcel Duchamp, Francis Picabia, Max Ernst, Salvador Dalí, Jean Tinguely, Joseph Cornell, Rodney Graham, Marcel Broodthaers, Man Ray, Roberto Matta, Guy de Cointet, Ree Morton, Terry Fox, Cristina Iglesias e Francisco Tropa.   



                                  Salvador Dali


Cortesia Wikipedia
A palavra surrealismo supõe-se ter sido criada em 1917 pelo poeta Guillaume Apollinaire (1886-1918), jovem artista ligado ao Cubismo, e autor da peça teatral As Mamas de Tirésias (1917), considerada uma precursora do movimento.
Um dos principais manifestos do movimento é o Manifesto Surrealista de (1924). Além de Breton, seus representantes mais conhecidos são Antonin Artaud no teatro, Luis Buñuel no cinema e Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas.
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primeiramente em Paris nos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. Reúne artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo ganhando dimensão internacional. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Um dos seus objetivos foi produzir uma arte que, segundo o movimento, estava sendo destruída pelo racionalismo. O poeta e crítico André Breton (1896-1966) é o principal líder e mentor deste movimento.


                                              Sigmund Freud



Encontramos características do estilo em  combinações do representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente. Entre algumas destas metodologias estão presentes a colagem e a escrita automática. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, buscando expressar o mundo do inconsciente e dos sonhos.
No manifesto e nos textos escritos posteriores, os surrealistas rejeitam a chamada ditadura da razão e valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e honra. Humor, sonho e a contralógica são recursos a serem utilizados para libertar o homem da existência utilitária. Segundo esta nova ordem, as ideias de bom gosto e decoro devem ser subvertidas.
Mais do que um movimento estético, o surrealismo é uma maneira de enxergar o mundo, uma vanguarda artística que transcende a arte. Busca restaurar os poderes da imaginação, castrados pelos limites do utilitarismo da sociedade burguesa, e superar a contradição entre objetividade e subjetividade, tentando consagrar uma poética da alucinação, de ampliação da consciência. Breton declara no Primeiro Manifesto a sua crença na possibilidade de reduzir dois estados aparentemente tão contraditórios, sonho e realidade, “a uma espécie de realidade absoluta, de sobre-realidade [surrealité]”.
A escrita automática procura buscar o impulso criativo artístico através do acaso e do fluxo de consciência despejado sobre a obra. Procura-se escrever no momento, sem planejamento, de preferência como uma atividade coletiva que vai se completando. Uma pessoa escreve algo num papel e outro completa, mas não de maneira lógica, passando a outro que dá sequência. O filme Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel, por exemplo, é formado por partes de um sonho de Salvador Dalí e outra parte do próprio diretor, sem necessariamente objetivar-se uma lógica consciente e de entendimento, mas um discurso inconsciente que procura dialogar com outras leituras da realidade.


                                     Max Ernst


Esse e outros métodos, no entanto, não eram exercícios gratuitos de carácter estético, mas, como disse Octavio Paz, tinha um propósito subversivo: abolir uma realidade que a sociedade vacilante nos impôs como a única verdadeira. Para além de criar uma arte nova, criar um homem novo. E até certo ponto, pode dizer-se que o objectivo foi cumprido. O homem "ampliou-se", não se deixando entregar aos preconceitos e estereótipos que a sociedade "moldava" com frequência, na atribuição de papéis. A Arte é ela própria autónoma, ela e o seu criador deixaram de se confinar a métodos, técnicas e leituras de acordo com as expectativas que os críticos, os patrocinadores e no fundo, o vasto público de artes esperavam dele e das suas obras. 
No panorama português, não podia deixar de o fazer, incluo apenas no campo das artes plásticas, o pintor, poeta e prosador José Fernando Lobo Duarte, de Coimbraporque me é próximo afectivamente, porque a sua pintura, a sua poesia contestatária, ambas me provocam os sentidos. São formas revolucionárias e ainda assim coloridas, por vezes agressivamente coloridas, por vezes docemente timbradas de um surrealista que não dá tréguas a si mesmo nem aos objectos da sua criação. A exteriorização é fértil, por vezes rude, indisciplinada, inconformista e sonhadora. Poderia acrescentar um sem-número de nomes, quer dos já falecidos recentemente, quer dos que ainda continuam a produzir arte e a provocar socialmente, mas escolho, propositadamente, ficar-me por aqui. 


Lobo Duarte  I  e II