sexta-feira, abril 27, 2012

Filipe Catto



Crime passional.Dois perdidosOlhos nos olhos.Gardénia branca.;AngieVocê é linda. Gbox.
Rima rica, frase feitaJuro por DeusAdoração Redoma .Luz negraAve de prataNescafé.
Non, je ne regrette rien. GarçomCry me a riverSe você me ouvisseLuz negraDia perfeito.
Como eu queroAlcoba azulPuro êxtaseVolver IvinhemaRoupa do corpoTeu quarto.
Back to blackVogue  Ascendente em câncerBeija-florNegue Johnny, Jack and Jameson.


Sobre o compositor: Apesar de nascido em Lajeado, cresceu e foi criado na capital gaúcha Porto Alegre. Ainda menino, cantava em bailes e festas com o pai e numa de suas primeiras experiências enfrentou uma plateia de três mil pessoas. Na adolescência participou de algumas bandas com influências de rock. Em 2006 iniciou sua experiência na carreira solo e começou a realizar shows em bares e divulgar seu trabalho através da Internet. Em 2008, montou junto com o diretor João Pedro Madureira, o show "Ouro e Pétala", formado de voz, violão e palmas e se apresentou em teatros. Quando se viu pronto, lançou pela internet o EP "Saga" em 2009 para download gratuito, o que marcou o início sua carreira profissional[3]. Formou-se em design pela ESPM-RS. Em 2010 mudou-se para São Paulo e seu trabalho começou a ganhar mais visibilidade. Em 2011 a música "Saga" entrou para a trilha sonora da novela Cordel Encantado. Filipe Catto assinou contrato com a gravadora Universal Music e gravou o seu primeiro álbum "Fôlego". Em novembro de 2011 estreia a turnê "Fôlego", no Theatro São Pedro (Porto Alegre)[4].
Para continuar a ler sobre, aqui.


Amadeu Baptista






BILLIE HOLIDAY: SOLO

Não tenho mais visões, não tenho obsessões,
sigo a trompete apenas, a ternura
é esse outro lado das coisas em que me perco
porque nada mais me chama e nada mais
revejo no lentíssimo torpor que pelas veias
senti outrora num azul imenso
que mais do que tocar-me me esvaía
no inferno do mundo e em seus ramais
de pura nostalgia, tristeza e desencanto.
Só ergo agora a voz para esquecer
e ter o olhar toldado para as coisas
que como grito lancinante escuto no silêncio
enquanto outras vozes me chamam,
outros indícios me vêm perturbar
quando pressinto a noite antíquissima
em que se esconde o sobressalto da serenidade do meu tempo. 
Nem já a sombra aguardo
ou o sentido destes brilhos espessos,
estas chamas que consomem o meu corpo
e a minha alma no mistério de tudo
e no liminar enigma que adensa nos outros
os sentidos, certa atenção venal, um desespero
que em fumos e rastros me pergunta
por esta vida que já não é minha
e no coração recebo como salvação e ruína.
Sigo a trompete, o subtil sinal da despedida.
Só ergo agora a voz para esquecer.


ORAÇÃO NO HORTO

Bem-aventurado seja o inferno que há na terra
e o trabalho nos campos cada dia,
e o gado nos redis que nos aguarda,
e as aves que chegan dos confins
dos desconhecidos lugares que manteremos
na frágil proximidade dos segredos. A inocência
inútil seja bem-aventurada
quando além do caminho só existe
um outro abismo, e água, e nada mais.
Bem-aventurada seja a treva infinda,
este travo na língua a desespero,
este rastro de fumo que nos chega
dos confins do deserto e seus oásis.
Glorificada seja essa cabeza
que insidiosamente foi degolada
e o poder do Pai não protegeu
da essência da infâmia e do esquecimento.
Sob o silêncio outro silêncio arde.
Glorificado seja o que comigo chora.

in Livro Paixão
(Prémio Victor Matos e Sá 2001 e Prémio Teixeira de Pascoaes 2003)



Sobre o autor:  Amadeu Baptista nasceu no Porto a 6 de Maio de 1953. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É membro da Associação Portuguesa de Escritores e do Pen Clube Português. Colaboração dispersa em jornais, revistas, livros colectivos e antologias nos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, E.U. A., Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, México, Portugal, Roménia e Uruguai. Poemas seus foram traduzidos para alemão, castelhano, catalão, francês, hebraico, italiano, inglês e romeno. É divulgador em Portugal de poetas espanhóis e hispano-americanos. Fundou e co-dirigiu (com Álvaro Holstein Ferreira e Vergílio Alberto Vieira) a publicação Babel – fascículos de poesia, e co-organizou (com Egito Gonçalves) a revista Orfeu 4. Organização de antologias: Quanta Terra!!! - Poesia e Prosa Brasileira Contemporânea, 2001; Álbum de Acenos – Antologia de Poesia e Fotografia, 2001; Poesia Digital – 7 poetas dos anos 80, em col. com José Emílio-Nelson, Porto, 2003. Integrou o Júri do Grande Prémio de Poesia APE/CTT relativo ao ano editorial de 1993, 1997 e 2003; o Júri do Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/C.M. do Porto relativo ao ano editorial de 1997 e o Júri do Grande Prémio do Conto APE/Câmara de Vila Nova de Famalicão, relativo ao ano editorial de 1999. Obras publicadas: As Passagens Secretas, Coimbra, 1982; Green Man & French Horn (in A Jovem Poesia Portuguesa/2, em col.), Porto, 1985; Maçã [Prémio José Silvério de Andrade – Foz Côa Cultural, 1985], Porto, 1986; Kefiah, Viana do Castelo, 1988;O Sossego da Luz, Porto, 1989; Desenho de Luzes (edição galaico-portuguesa), Corunha, Galiza, Espanha, 1997; Arte do Regresso (pelo primeiro capítulo deste livro, Cúmplices, recebeu o Prémio Pedro Mir, na categoria de Língua Portuguesa, promovido pela revista Plural, da Cidade do México, em 1993), Porto, 1999; As Tentações, Santarém, 1999; A Sombra Iluminada (in Douro: Um Percurso de Segredos, em col.), s/l, 2000; A Noite Ismaelita, Guimarães, 2000; A Construção de Nínive, Porto, 2001; Paixão (Prémio Vítor Matos e Sá, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2001 e Prémio Teixeira de Pascoaes, 2004), Porto, 2003; Sal Negro (in Sal Negro Sal Branco com 25 fotografias de Rosa Reis) Almada, 2003;O Som do Vermelho – tríptico poético sobre pintura de Rogério Ribeiro, Porto, 2003; O Claro Interior [Prémio de Poesia e Ficção de Almada – 2000 / poesia], Almada, 2004; Salmo (com a reprodução de um desenho de Rogério Ribeiro), Porto, 2004; Negrume (com desenhos de Ana Biscaia), Lisboa, 2006; Antecedentes Criminais (Antologia Pessoal 1982-2007), Vila Nova de Famalicão, 2007; O Bosque Cintilante [Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, 2007], Vila Nova de Azeitão, 2007 (ed. fora do mercado); Balada da Neve e Outros Poemas, Maputo, Moçambique; Outros Domínios (Clamor por Florbela Espanca) – [Prémio Literário Florbela Espanca, 2007], Vila Viçosa, 2008; O Bosque Cintilante [id.], Porto, 2008. A publicar: Estrela de Bizâncio ­–  [Prémio de Poesia e Ficção de Almada – 2000 / prosa]; Poemas de Caravaggio – [Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire, 2007]; Sobre as Imagens – [Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica, 2008]

quinta-feira, abril 26, 2012

Maria Gadú



Encontro. Podres poderesEscudos. O quereres. Shimbalaiê. Certo não. Amor de índio.
A próxima vez. Lanterna dos afogados. Quase sem querer. Hoje à noite não tem luar.
Quando você passa. Eu já tentei. This love. O trem das onze. Ne me quitte pas. Leãozinho.
A história de Lily Braun. Sonhos roubados. Só sorriso. A festa. Reflexo de nós. Quem.
Estranho natural. Extranjero. Who Knew. A valsa. Filosofia. Long, long time. Mais que a mim.


Mayra Corrêa Aygadoux, mais conhecida como Maria Gadú (São Paulo, 4 de dezembro de 1986), é uma cantora, compositora de canções e violonista brasileira de Música Popular. Desde sua estréia, Maria chamou a atenção de público e crítica, sendo indicada duas vezes ao Grammy Latino.
Para continuar a ler sobre Maria Gadú, aqui.




Arnaldo Saldanha Abreu



A Dama de Copas e o Valete de Espadas

As últimas cartas em cima da mesa
Às de trunfo e joker preto
Nódoas de café
Olhos doridos e embaciados
Vapor de whiskey
Inala e evapora
Mini-saia em pernas longilíneas
Tatuagens de flores colhidas pela manhã
Beijos-pimenta
Línguas de sabor a hortelã
Dama de Copas
E Valete de Espadas.

Banco traseiro de um carro
Vermelho debitando rock and roll
A mil de cilindrada
Chegamos aos 100 em menos de nada
Sobe a saia
Desce o soutien
Acelero
Nos Montes Golan
Travo
Atravesso a Faixa de Gaza
Avançamos
Vimo-nos na Terra Prometida
Que Deus nos perdoe!

É sinuosa a estrada
Sinalização transversal
Houve um derrame libidinoso
Não deu para evitar a derrapagem
Sirene da polícia
Encosto na berma
Mas tão cedo, não cedo passagem
Boa noite, Senhor Agente!
Não tenho identificação
Roubei o carro em segunda-mão
É ecológico
Amigo do ambiente
Sabe como é?!
Move-se aos solavancos
De trás para a frente
Ela é a Bonnie e eu sou o Clyde
E ainda temos dois bancos para assaltar
De dia somos Jekill
E à noite estamos Hyde
Lascivamente idolatramos o sexo
E desprezamos o amor
Esse miserável deus racional.

Como todos os meus textos, também este fica inacabado e receptivo a ser prostituído a troco de nada. Decidi que não escrevo mais poemas de amor a transbordarem de metáforas pirosas e piegas. O sexo não precisa de lamechices da 
treta.






Sobre o autor: Arnaldo Saldanha Abreu, nasceu em Lisboa em 12 de Abril de 1966. Licenciado em Sociologia do Trabalho. Depois de o terem ensinado, nunca mais parou de ler e de escrever e esses são os passaportes com que viaja pelas histórias que cria e por aquelas que apreende e com as quais convive no seu imaginário. Alguns trabalhos assinados como Gerónimo Lobo.

segunda-feira, abril 16, 2012

Dj Mix'Elle















Mix'Elle aka Michelle é natural do Porto, mas reside em Braga desde 1997. 
Iniciou-se no djing em 2003, por brincadeira, incentivada por amigos djs, entre eles King Fu, Alemãozuk e Claxon. Juntos, criaram uma espécie de movimento alternativo de música electrónica em Bragança, organizando e participando em várias festas, semanas académicas e eventos relacionados com o Teatro de Estudantes de Bragança.
Comandou e continua a comandar os decks de vários clubes emblemáticos do Norte, tendo sido já caso disso o Bazaar, Swing Club, Porto Rio, Pitch Club, Triplex (Porto), Insólito Bar, Siga pra Bingo, Icone Lounge (Braga), Elite Club, Projecto By El Rock, Ultimatum (Guimarães), Sintomas Bar (Amares), Demetal, IPJ, Castelo (Bragança)...
Além fronteiras, participou como convidada num programa da X-Radio de Frankfurt e num evento da universidade local, juntamente com MC Tresh, com o qual partilha esta e outras paixões.





Set 1.



Micro.


Dubstepping.

Club'in.

Lobo Duarte




foto de Francisco Oliveira in Batente de Mão


Os meus gastos dias

Os meus dias, os meus gastos dias, agora que me falta álcool no copo e não posso desabafar no livro, não posso vingar-me completamente nas palavras por a solidão ter agarrado tempo de mais a minha juventude. Os meus dias, os meus gastos dias levados como um galope de cavalo que revolve a terra e que mostra em segredo a distancia de eu não ter corpo e de já não ter pensamento. Eu fico um pouco alegre por ninguém saber a idade do rio. Nunca ninguém pergunta sobre a idade dele, nalgum romance pode surgir um por de sol e um homem que se apaixona e não arrasta a margem dos anos para o seu peito enamorado e jovem. Os meus dias, os meus gastos dias, agora que me falta salpicar o rosto de água salgada e fumar o amarelo cigarro enquanto o fumo è uma nuvem ou um pássaro doente que me olha enquanto eu olho o diário. Estou com o rio, não estou perto dele, na verdade não estou com ele, mas falo-lhe quando os homens ficam fechados e as mãos não se abrem, mesmo que não esteja com ele, ele dá-me água e limpa-me os meus olhos tristes e mesmo que tenham sido muitas vezes aquela è a vez em que eu sou criança e sinto vontade de mexer os braços da vida e de ser tão completo como uma cor a germinar o céu. Os meus dias, os meus gastos dias, agora que por mim passam as estações e eu deixei de inventar aquela que todos os dias me amava quando eu não acreditava e agora não acredito nas palavras mas quero o fogo e as pessoas pois tenho frio e è melhor um pouco de calor, è melhor quando aceito este momento e consigo chorar porque o rio não me faz perguntas e o vento atira-me para a terra quando já não consigo dançar com a vida. Agora que os meus gastos dias vão se aproximando eu tento uma longa viagem, podem as estrelas acompanhar-me e podes tu lembrar num relance de olhos que a eternidade è o livro que fica e a gota do vinho que resta no copo e tu escutarás a mesma musica e do resto fica a sombra e o pó dos caminhos selvagens. Os meus dias os meus gastos dias, já não tenho sangue para verter mas se ainda puder ouvir vidas de encantar e utopias de não sentir morrer. Ò meu amigo ò minha amiga deixa-me o vinho e o tabaco e o perfume, só isso sobre a terra, quero renascer e se a chuva cair que o rio me proteja e a noite tenha o direito de me abandonar. Os meus dias, os meus gastos dias, agora que me falta álcool no copo e não posso desabafar completamente no livro, nem vingar-me nas palavras que fazem o ódio nos homens. Ò meu amigo ò minha amiga deixa-me o vinho ou umas asas para voar se eu tiver coragem para me lançar da janela infinita. Os meus dias, os meus gastos dias, dias gastos a procurar e a esconder, dias em que se tentou fazer de novo o amor e o teu corpo febril ficava no meu e havia um espaço entre o desejo que eu tinha e o teu modo de experimentares a mão da natureza e a minha mão no teu sexo. Os meu dias, os meus gastos dias, a cama onde ainda cheiro o teu corpo que espera e nós agora juntos na mesma esperamos que seja o momento de ficarmos dissolvidos no mesmo coração, no mesmo habito de entrelaçar nos dedos as nossas seguras duvidas do amor e da vida e da morte absoluta que è o prazer de tudo isto. Os meus dias, os meus gastos dias agora que me falta ver um cão a dormir no livro sujo e o vagabundo a vomitar nas escadas do museu de arte contemporânea, agora que o cão me ama e o vagabundo não me julga e agora que ainda há álcool no copo e a fogueira ainda está acesa, Ò minha amiga ò meu amigo peço as vossas mãos, não as vossas palavras, mas as vossas mãos, assim talvez a minha viagem e o meu segredo possa ficar entre mim, vocês e o rio.

Lobo Duarte

sábado, abril 14, 2012

Agostinho da Silva

Lições de filosofia que não se esquecem.


Com Alice Cruz, saudosa, o saudoso professor Agostinho da Silva,
aqui abordando questões existenciais como a solidão, a tolerância,
a aceitação, a solidariedade, o trabalho, o prazer e a poesia.



Com Herman José, "uma conversa de cerejas", desde a timidez aos
menos a's (- a) multiplicados da vida,  os gordos e a auto-estima,
passando pela abolição da carne na nossa dieta, do egoísmo ao
altruísmo, a criança e a espontaneidade.



Com Isabel Barreno, a identidade, o papel histórico da nação, o
orgulho de ser português

J. P. Simões



Entrevista. no Hot ClubVou sair para comprar cigarros. .
Canção do jovem cãoOnde mora o mundo. Se por acaso. Boato
Tango de antigamenteMúsica impopular. Eu um dia hei-de ter poder.
Lenda do homem pássaroO sultão de Zanzibar. Caro comparsa.
Quem meteu a mão no meu quinhão. Mais uma para o caminho.
A marcha dos implacáveis. Inquietação. Ela vem e vai. Ele é que não.
A pele que há em mim.  Canção da paciência. Joana Francesa.
Eu já não sei. O menino negativo. Conversa de esquina. Dorinha.
Mais uma aurora. Voltar a Ítaca. Falsa ValsaFábula bêbada.
Vai prá puta que te pariu. A volta do malandro. Lenda da Rena Renata.



Nasceu em Coimbra em 1970. Estudou Jornalismo, Direito da Comunicação, Escrita de Argumento, Saxofone, Lingua Árabe e é Mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa, mas tem exercido essencialmente música nos últimos 17 anos com os Pop dell’Arte, Belle Chase Hotel, Quinteto Tati, (etc...) e a solo.
Escreveu contos, letras de canções, argumentos para cinema e participou activamente como músico e actor em filmes de Fernando Vendrell, Edgar Pêra, António Ferreira e outros, assinando pelo caminho algumas bandas sonoras para documentários.
No teatro, escreveu o libreto da “Ópera do Falhado” (Editora 101 Noites, 2004) partilhando a invenção musical com o compositor Sérgio Costa.
Na televisão, concebeu, editou e apresentou a série de programas de divulgação da nova música portuguesa, “Quilómetro Zero”, transmitidos em 2008 pela RTP2, grande vencedor do Festival de Documentário Grande Angular, em 2009.
Em 2007 lançou “1970”, (Valentim de Carvalho) o seu primeiro álbum a solo, e “O Vírus da Vida”, (Sextante Editora, 2007), livro de contos com ilustrações de André Carrilho. Em Abril de 2009, lançou “Boato”, novo disco de originais. Em Novembro de 2010 lança um novo disco, feito em parceria com o compositor Afonso Pais: “Onde Mora o Mundo”.

E continua, por cortesia da Wikipedia.



Fernando Pessoa


                          Em flagrante delitro, 1929, dedicatória na foto oferecida a Ophélia Queiroz




Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.


quarta-feira, abril 11, 2012

Prodigy



Breathe. Firestarter. World's on fire. Smack my bitch up. Omen.
Take me to the hospital. Invaders must die. Poison. No good.  Goa.
Out of space. Baby's got a temper. Mescaline. Thunder. Piranha.
Bomb the bass. Break and enter. Charly. Crazy man. The narcotic Suite.
Their law. The way it is. You'll be under my wheels. Your love. Oz.
Weather experience. We gonna rock. Serial Thrilla. Climbatize.
Mindfields. Narayan. Run with the wolves. Colours. Aluminum Jazz.
Southend. Diesel power. Comanche. Thunder. Black smoke. BTN.
Fighter beat. Warrior's dance. The big gundown. Gabba. Casanova.
Rhythm of life. Everybody say love. Religion. Razor.  Phoenix.
Who u foolin'. Shadow of the devil. Little Goblin'. Brown. Unstopable.
New fill. Titan. Many many many people. Mozart. Pandemonium.
Spitfire. Everybody in the place. Android. What  evil lurks. Jaws fill.




The Prodigy are an English electronic dance music group formed by Liam Howlett in 1990 in Braintree, Essex. Along with Fatboy Slim, The Chemical Brothers, and other acts, The Prodigy have been credited as pioneers of the big beat genre, which achieved mainstream popularity in the 1990s and 2000s.[1] They have sold over 25 million records worldwide.[2] The group has won numerous music awards throughout their career, including two Brit Awards—winning Best British Dance Act twice, three MTV Video Music Awards, two Kerrang! Awards, five MTV Europe Music Awards, and have twice been nominated for Grammy Awards.[3][4]
The group's brand of music makes use of various styles ranging from rave, hardcore techno, industrial, and breakbeat in the early 1990s to big beat and electronic rock with punk vocal elements in later times. The current members include Liam Howlett (keyboardist and composer), Keith Flint (dancer and vocalist), and Maxim (MC and vocalist). Leeroy Thornhill (dancer and very rarely a live keyboardist) was a member of the band from 1990 to 2000, as was a female dancer and vocalist called Sharky who left the group during their early period. The Prodigy first emerged on the underground rave scene in the early 1990s, and have since then achieved immense popularity and worldwide renown.

For further information, Courtesy from wikipedia

terça-feira, abril 10, 2012

Hilda Hilst




Poemas aos Homens do nosso Tempo

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - II)

* * *

Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - VIII)

 * * *

Bombas limpas, disseram? E tu sorris
E eu também. E já nos vemos mortos
Um verniz sobre o corpo, limpos, estáticos,
Mais mortos do que limpos, exato
Nosso corpo de vidro, rígido
À mercê dos teus atos, homem político.
Bombas limpas sobre a carne antiga.
Vitral esplendente e agudo sobre a tarde.
E nós na tarde repensamos mudos
A limpeza fatal sobre nossas cabeças
E tua sábia eloqüência, homens-hienas

Dirigentes do mundo.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - XIV)

* * *

Ao teu encontro, Homem do meu tempo,
E à espera de que tu prevaleças
À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras,
Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheças
E convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros,
Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa.
As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantarei
Minha própria rudeza e o difícil de antes,
Aparências, o amor dilacerado dos homens
Meu próprio amor que é o teu
O mistério dos rios, da terra, da semente.
Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeu

Compaixão e ternura e paz na Terra
Se ainda encontrasse em ti, o que te deu.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - IX)

 * * *

Ávidos de ter, homens e mulheres caminham pelas ruas.
As amigas sonâmbulas, invadidas de um novo a mais querer,
Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.
Uma pergunta brusca, enquanto tu caminhas pelas ruas.
Te pergunto: E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?

Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - XIII)

 * * *

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

Não cabe no meu canto.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - XVI)

(Poesia: 1959 - 1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

quinta-feira, abril 05, 2012

Pedro Barroso



Setembro. Cartas a Portugal. Sou português. Eternos sonhadores. Lua.
Excesso. Anúncio Confidencial. Partido. Navegador do futuro. Noite.
Ai consta. Longe. Canção para regressar. Rugas. Amantes. Água.
Amor antigo. Eu hei-de, meu bem, eu hei-de. Esperança. Amor tranquilo.
O velho artista. Barca em chão de lama. Canto da memória. Aniversário.
Tanta gente. Carnaval. Foi por um rasgo de voz. Maria mal-amada.
Aprendi cantos co'a Terra. Fado, afinal. Rapsódia final. Viva quem canta.
Balada do desespero. Menina dos olhos d'água. Agora nunca é tarde.
Poema do lavrador das palavras dos políticos. Viriato. Bonita. Tão mulher.
Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo. Pão de pedras. Pedra filosofal.
Verdes são os campos. Jardim de poetas. Ventos siderais. Longe daqui.
O último templário. Em Sagres. Ai, mulher. Caso sério. Música de mar.
E assim não há poemas. Praia portuguesa. Quando o coração chora de dor.
Companheira. Dá-me uma gota de ti. In Nominae In. Fato cinzento.
Mulheres (se calhar amor). Música, música. Palavras. Ai, o tempo.
Salvar a terra. Canção Semente. Homem de um só parecer. Jet set party.
De novo, Catarina. Água mole em pedra dura. Canção para a unidade.
Piação dos ninhos. Fado da Charneca.  Romance de Almeirim.
A ida ao mercado. Dança da feira. Anarquistas e viagens. Canto novo.
Em nome do feitiço acontecido. A festa foi bonita. O cheiro. Fado Quitério.


António Pedro da Silva Chora Barroso (Lisboa28 de Novembro de 1950) é um cantorautor-compositor e músico português, com cerca de 30 álbuns gravados desde a década de 70. Paralelamente, foi docente e escritor publicado.

Tendo nascido em Lisboa, Pedro Barroso cresceu em Riachos, terra natal do pai, professor do Ensino Primário.
Completou o curso de Educação Física em 1973 na Instituto Nacional de Educação Física, actual Faculdade de Motricidade Humana, e foi professor no Ensino Secundário durante mais de vinte anos.
Viria mais tarde a obter um diploma de pós-graduado em Psicoterapia Comportamental, em 1988, tendo trabalhado na área da Saúde Mental e Musicoterapia durante alguns anos. Foi, neste campo, pioneiro no ensino de crianças surdas-mudas, numa escola de ensino especial de Lisboa.
Membro activo da comunidade artística e musical integrou a direcção do Sindicato dos Músicos e foi autor, em 2002, do polémico Manifesto sobre o estado da Música Portuguesa que teve audições junto de todos os Grupos Parlamentares na Assembleia da República e do então Presidente da RepúblicaJorge Sampaio.
Desde 2003, é membro dos corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Autores, na direcção presidida por Manuel Freire.
Barroso já foi convidado a dar palestras sobre a Cultura Portuguesa nas Universidades de NyemegenEstocolmoToronto e Budapeste.
Pedro Barroso é pai do também cantor Nuno Barroso, vocalista dos Além Mar.


quarta-feira, abril 04, 2012

Madrugada - Peça de Teatro







A "Madrugada", peça que fomos assistir ao Teatro Helena Sá e Costa, em co-produção com TEatroensaio e Teatro Art'Imagem, na dupla comemoração de 30 anos em cena e da 100ª peça; numa hora de espectáculo, ofereceu um "diálogo" simbólico entreHelena Carneiro no papel de vítima da Pide e Pedro Carvalho no papel de algoz. Ambos estiveram bem, mas bem mais do que bem, inteiros e entregues a esse diálogo, onde a tortura, as ameaças do predador, para além de não calarem a coragem da vítima, fizeram brotar magnólias na antevisão da morte. Um retrato do que foi/poderá ser o fascismo. Os contornos a desenharem-se no retrato político e social actual. Esta peça contou com Pedro Estorninho no Texto e encenação, apoio dramatúrgico de José Leitão, música original de José Mário Branco, espaço cénico de José Lopes, desenho de luz de Leunam Ordep, os figurinos a cargo de Inês Mariana Moitas, direcção de produção de Inês Leite e Jorge Mendo, e produção executiva de Carina Moutinho. No final, foram distribuídos cravos encarnados e um Porto D'Honra que não pudemos aceitar, dado a existência de outras contingências....


Deste texto de apoio entregue na entrada do espectáculo consta a seguinte resenha: Este texto é ficcionado a partir de um dos interrogatórios da PIDE exercido sobre uma das muitas mulheres que nas suas instalações sofreram uma das maiores opressões que existem e continuam a persistir neste suposto mundo moderno: a castração do seu direito ao "Livre Pensamento", ou seja, a castração à "Liberdade do Indivíduo".
Muitas foram as mulheres que por lá passaram e urge ter uma perspectiva do seu sofrimento.
Este espectáculo coloca em cena um interrogatório a uma mulher nas vésperas do 25 de Abril. No entanto a situação é apresentada de forma intemporal, num "Aqui" e "Agora" que continuam a marcar os nossos tempos. Este espectáculo, uma co-produção com a Companhia Teatro Art'Imagem, enquadra-se no tema anual de trabalho da Companhia TEatroensaio:" Migração, espaços físicos e psicológicos", contribuindo para a discussão da nossa história recente e memória colectiva. 


Resta-me acrescentar a ficha técnica (visto que a ficha artística já foi colocada na apresentação que fiz da peça em cima):

Operação de Luz e som: Teatro Art'Imagem, design de Rui Duarte, músicos Ana Isabel e Hugo Brito, sonoplastia de Carlos Adolfo, registo musical de José Prata e Ricardo Gandra, apoio à produção de Flávio Hamilton, Fátima Maio e Micaela Barbosa e vídeo de Eduardo Morais. .

Agora, o video de apresentação da peça, que é um apelo fortíssimo à cumplicidade e partilha de ideais. Vamos pensar no futuro da liberdade?
Em cena de 3 a 7 de Abril, pelas 21,30h. Teatro Helena Sá e Costa, Porto.
http://www.teatroartimagem.org/